Segunda-feira, 3 de Abril de 2017

Frases de Pablo Neruda no Facebook - Tira-me o pão se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o meu riso

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Tira-me o pão se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o meu riso

Pablo Neruda

 


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Sábado, 18 de Fevereiro de 2017

Frases de Pablo Neruda no Facebook - Um homem só encontra a mulher ideial quando olhar para o seu rosto e vdescobrir um anjo

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 Um homem só encontra a mulher ideial quando olhar para o seu rosto e vdescobrir um anjo e, tendo-a nos braços, tiver as tentações que só os demónios provocam

Pablo Neruda

 


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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2016

Frases de Pablo Neruda Facebook - Vivo cada dia como se fosse cada dia, nem o último, nem o primeiro

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Vivo cada dia como se fosse cada dia, nem o último, nem o primeiro - o único

 

Pablo Neruda

 


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Segunda-feira, 8 de Agosto de 2016

Pablo Neruda no Facebook - Tu és livre de fazer as tuas escolhas, mas és prisioneiro das consequências

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Tu és livre de fazer as tuas escolhas, mas és prisioneiro das consequências

Pablo Neruda

 


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Domingo, 29 de Maio de 2016

Pablo Neruda no Facebook - Amo-te Sem Saber Como

amo-te.jpg

 

 

Amo-te Sem Saber Como

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou seta de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te directamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor"

 


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Terça-feira, 22 de Março de 2016

Pablo Neruda no Facebook - Se sou amado, quanto mais amado mais correspondo ao amor.

Pablo Neruda

 

Se sou amado,
quanto mais amado
mais correspondo ao amor.

Se sou esquecido,
devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho:
-tem que ter reflexo.

 

Pablo Neruda


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Sexta-feira, 18 de Março de 2016

Pablo Neruda - O Meu Primeiro Poema

O Meu Primeiro Poema

Têm-me perguntado muitas vezes quando escrevi o primeiro poema, quando nasceu a minha poesia. Tentarei recordá-lo. Muito para trás, na minha infância, mal sabendo ainda escrever, senti uma vez uma intensa comoção e rabisquei umas quantas palavras semi-rimadas, mas estranhas para mim, diferentes da linguagem quotidiana. Passei-as a limpo num papel, dominado por uma ansiedade profunda, um sentimento até então desconhecido, misto de angústia e de tristeza. Era um poema dedicado à minha mãe, ou seja, àquela que conheci como tal, a angélica madrasta cuja sombra suave me protegeu toda a infância. Completamente incapaz de julgar a minha primeira produção, levei-a aos meus pais. Eles estavam na sala de jantar, afundados numa daquelas conversas em voz baixa que dividem mais que um rio o mundo das crianças e o dos adultos. Estendi-lhes o papel com as linhas, tremente ainda da primeira visita da inspiração. O meu pai, distraidamente, tomou-o nas mãos, leu-o distraidamente, devolveu-mo distraidamente, dizendo-me:
— Donde o copiaste?

E continuou a falar em voz baixa com a minha mãe dos seus importantes e remotos assuntos. Julgo recordar que nasceu assim o meu primeiro poema e que assim tive a primeira amostra distraída de crítica literária.
Entretanto, progredia no mundo do conhecimento, no desordenado rio dos livros, como um navegante solitário. A minha avidez de leitura não se saciava, nem de dia nem de noite. Na costa, no pequeno Puerto Saavedra, topei uma biblioteca municipal e um velho poeta, Augusto Winter, que se admirava com a minha voracidade literária. «Já os leu?», inquiria, passando-me um novo Vargas Vila, um Ibsen, um Rocambole. Como uma avestruz, eu engolia tudo sem discriminações.

Pablo Neruda, in "Confesso que Vivi"
Retirado de Citador
 

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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016

Pablo Neruda no Facebook - Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te simplesmente

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Amo-te Sem Saber Como

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou seta de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te directamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor"

 


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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016

Pablo Neruda no Facebook - Paciência é o intervalo entre a semente e a flor

Paciência

 

Paciência é o intervalo entre a semente e a flor

Pablo Neruda


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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2016

Pablo Neruda - A Mulher dos Vinte Poemas

A Mulher dos Vinte Poemas

Perguntam-me sempre quem é a mulher dos «Vinte Poemas». É difícil responder. As duas ou três que se entrelaçam nesta melancólica e ardente poesia correspondem, digamos, a Marisol e Marisombra. Marisol é o idílio da província encantada, com imensas estrelas nocturnas e olhos escuros como o céu molhado de Temuco. É ela que figura, com a sua alegria e a sua vivaz beleza, em quase todas as páginas, rodeada pelas águas do porto e pela meia-lua sobre as montanhas. Marisombra é a estudante da capital. Boina parda, olhos dulcíssimos, o constante aroma a madressilva do errante amor estudantil, o sossego físico dos apaixonados encontros nos esconderijos da urbe.

Pablo Neruda, in "Confesso que Vivi"
 
Retirado de Citador
 

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Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

Pablo Neruda no Facebook - Quero fazer contigo o que a Primavera faz com as cerejas

Neruda

 

 

Quero fazer contigo o que a Primavera faz com as cerejas

Quiero hacer contigo lo que la primavera hace con los cerezos

Pablo Neruda


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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015

Pablo Neruda no Facebook - eu sou o homem das lágrimas e dos protestos. Não posso destinar a prosa à luta e a poesia ao sofrimento, parece-me que ambas podem ter o mesmo destino.

Neruda

 

 

 

eu sou o homem das lágrimas e dos protestos. Não posso destinar a prosa à luta e a poesia ao sofrimento, parece-me que ambas podem ter o mesmo destino.

 

Pablo Neruda


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Sábado, 29 de Agosto de 2015

Pablo Neruda no Facebook - Navega Portugal, a hora chegou, levanta a tua estatura de proa e entre as ilhas e os homens volve a ser caminho

Navega Portugal

 

Navega Portugal, a hora chegou, levanta a tua estatura de proa e entre as ilhas e os homens volve a ser caminho

A esta idade agrega tua luz, volta a ser lâmpada, aprenderá de novo a ser estrela

Pablo Neruda


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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2015

Pablo Neruda no Facebook - Se nada nos salva da morte, ao menos que o amor nos salve da vida

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Se nada nos salva da morte, ao menos que o amor nos salve da vida

Si nada nos salva de la muerte, al menos que ele amor nos salve de la vida

 


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Segunda-feira, 27 de Julho de 2015

Pablo Neruda - Os Deuses Reclinados

Os Deuses Reclinados

... Por todos os lados as estátuas de Buda, de Lorde Buda... As severas, verticais, carcomidas estátuas, com um dourado de resplendor animal, com uma dissolução como se o ar as desgastasse... Crescem-lhes nas faces, nas pregas das túnicas, nos cotovelos, nos umbigos, na boca e no sorriso pequenas máculas: fungos, porosidades, vestígios excrementícios da selva... Ou então as jacentes, as imensas jacentes, as estátuas de quarenta metros de pedra, de granito areento, pálidas, estendidas entre as sussurrantes frondes, inesperadas, surgindo de qualquer canto da selva, de qualquer plataforma circundante... Adormecidas ou não adormecidas, estão ali há cem anos, mil anos, mil vezes mil anos... Mas são suaves, com uma conhecida ambiguidade ultraterrena, aspirando a ficar e a ir-se embora... E aquele sorriso de suavíssima pedra, aquela majestade imponderável, mas feita de pedra dura, perpétua, para quem sorriem, para quem, sobre a terra sangrenta?... Passaram as camponesas que fugiam, os homens do incêndio, os guerreiros mascarados, os falsos sacerdotes, os turistas devoradores...

E manteve-se no seu lugar a estátua, a imensa pedra com joelhos, com pregas na túnica de pedra, com o olhar perdido e não obstante existente, inteiramente inumana e de alguma forma também humana, de alguma forma ou de alguma contradição estatuária, sendo e não sendo deus, sendo e não sendo pedra, sob o grasnar das aves negras, entre os esvoaçar das aves vermelhas, das aves da selva... Pensamos, de algum modo, nos terríveis Cristos espanhóis que herdámos com chagas e tudo, com pústulas e tudo, com cicatrizes e tudo, com aquele odor a vela, a humidade, a quarto fechado que têm as igrejas... Aqueles Cristos também duvidaram entre ser homens e deuses... Para os fazer homens, para os aproximar mais dos que sofrem, das parturientes e dos decapitados, dos paralíticos e dos avaros, da gente de igrejas e da que rodeia as igrejas, para os tornar humanos, os estatuários dotaram-nos com horripilantes chagas, até que tudo aquilo se transformou na religião do suplício, no peca e padece, no não pecas e padeces, no vive e sofre, sem que nenhuma escapatória te livrasse...

Aqui não, aqui a paz chegou à pedra... Os estatuários revoltaram-se contra os cânones da dor e estes Budas colossais, com pés de deuses gigantescos, têm no rosto um sorriso de pedra que é tranquilamente humano, sem tamanho sofrimento... E deles evola-se um odor não a aposento morto, não a sacristia e teias de aranha, mas a espaço vegetal, a brisas que de súbito ficam ciclónicas, com penas, folhas, pólen da selva infinita...

Pablo Neruda, in "Confesso que Vivi"

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Sábado, 18 de Julho de 2015

Pablo Neruda - A Minha Poesia

 

A Minha Poesia

A minha poesia e a minha vida fluíram como um rio americano, como uma torrente de águas do Chile, nascidas na intimidade profunda das montanhas austrais e dirigindo sem cessar para uma saída marítima o movimento do caudal. A minha poesia não rejeitou nada do que pôde transportar nas suas águas. Aceitou a paixão, desenvolveu o mistério, abriu passagem nos corações do povo.

Coube-me sofrer e lutar, amar e cantar. Tocaram-me na partilha do mundo o triunfo e a derrota, provei o gosto do pão e do sangue. Que mais quer um poeta? Todas as alternativas, do pranto até aos beijos, da solidão até ao povo, estão vivas na minha poesia, reagem nela, porque vivi para a minha poesia e porque a poesia sustentou as minhas lutas. E se muitos prémios alcancei, prémios fugazes como borboletas de pólen evasivo, alcancei um prémio maior, um prémio que muitos desdenham, mas que, na realidade, é para muitos inatingível.

Consegui chegar, através de uma dura lição de estética e rebusca, através dos labirintos da palavra escrita, à altura de poeta do meu povo. O meu prémio maior é esse — não os livros e os poemas traduzidos, não os livros escritos para descreverem ou dissecarem as palavras dos meus livros. O prémio foi aquele momento fundamental da minha vida, no fundo do vale de Lota, ao sol pleno na nitreira abrasada, quando um homem subiu da cova aberta na escarpa como se emergisse do Inferno, com a cara alterada pelo trabalho esmagador, os olhos avermelhados pela poeira, e, estendendo-me a mão calejada, uma mão com o mapa da pampa nas suas durezas e nas suas rugas, me disse, de olhos brilhantes: «Conhecia-te desde há muito tempo, irmão.» São estes os louros da minha poesia — esse buraco na pampa terrível do qual sai um operário a quem o vento e a noite e as estrelas do Chile lhe disseram muitas vezes: «Não estás sozinho; há um poeta que pensa nas tuas dores.»

Entrei para o Partido Comunista do Chile em 15 de Julho de 1945.

Pablo Neruda, in "Confesso que Vivi"
 
Retirado de Citador

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Quinta-feira, 16 de Julho de 2015

Pablo Neruda - Luto pela Bondade

 

Luto pela Bondade

Quero viver num mundo sem excomungados. Não excomungarei ninguém. Não diria, amanhã, a esse sacerdote: «Você não pode baptizar ninguém porque é anticomunista.» Não diria ao outro: «Não publicarei o seu poema, o seu trabalho, porque você é anticomunista.» Quero viver num mundo em que os seres sejam simplesmente humanos, sem mais títulos além desse, sem trazerem na cabeça uma regra-, uma palavra rígida, um rótulo. Quero que se possa entrar em todas as igrejas, em todas as tipografias. Quero que não esperem ninguém, nunca mais, à porta do município para o deter e expulsar. Quero que todos entrem e saiam sorridentes da Câmara Municipal. Não quero que ninguém fuja em gôndola, que ninguém seja perseguido de motocicleta. Quero que a grande maioria, a única maioria, todos, possam falar, ler, ouvir, florescer. Nunca compreendi a luta senão como um meio de acabar com ela. Nunca aceitei o rigor senão como meio para deixar de existir o rigor. Tomei um caminho porque creio que esse caminho nos leva, a todos, a essa amabilidade duradoura. Luto pela bondade ubíqua, extensa, inexaurível. De tantos encontros entre a minha poesia e a polícia, de todos esses episódios e de outros que não contarei porque repetidos, e de outros que não aconteceram comigo, mas com muitos que já não poderão contá-los, resta-me no entanto uma fé absoluta no destino humano, uma convicção cada vez mais consciente de que nos aproximamos de uma grande ternura. Escrevo sabendo que sobre as nossas cabeças, sobre todas as cabeças, existe o perigo da bomba, da catástrofe nuclear, que não deixaria ninguém nem nada sobre a Terra. Pois bem: nem isso altera a minha esperança. Neste momento crítico, neste sobressalto de agonia, sabemos que entrará a luz definitiva pelos olhos entreabertos. Entender-nos-emos todos. Progrediremos juntos. E esta esperança é irrevogável.

Pablo Neruda, in "Confesso que Vivi"
 
Retirado de Citador

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Terça-feira, 30 de Junho de 2015

Pablo Neruda no Facebook - num único beijo saberás tudo o que tenho calado

Num único beijo

 

num único beijo saberás tudo o que tenho calado

Pablo Neruda


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Quarta-feira, 24 de Junho de 2015

Pablo Neruda no Facebook - dois amantes felizes não tem fim nem morte, nascem e morrem tantas vezes enquanto vivem

Dois amantes felizes

 

dois amantes felizes não tem fim nem morte, nascem e morrem tantas vezes enquanto vivem, são eternos como é a natureza

Pablo Neruda


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Domingo, 21 de Junho de 2015

Pablo Neruda - Raízes

Raízes

Ehrenburg, que lia e traduzia os meus versos, repreendia-me: demasiada raiz, demasiadas raízes, nos teus versos. Porquê tantas? É verdade. As terras fronteiriças do Chile infiltraram as suas raízes na minha poesia e nunca puderam sair dela. A minha vida é uma longa peregrinação que anda sempre às voltas, que retorna sempre ao bosque austral, à selva perdida.

Ali, é certo, as grandes árvores eram por vezes tombadas por setecentos anos de vida poderosa, ou arrancadas pelo furacão, ou queimadas pela neve, ou destruídas pelo incêndio. Senti muitas vezes cair na profundidade da floresta as árvores titânicas: o roble que tomba com estrondo de catástrofe surda, como se batesse com mão colossal às portas da terra pedindo sepultura. As raízes, porém, ficavam a descoberto, entregues ao tempo inimigo, à humidade, aos líquenes, ao aniquilamento progressivo.

Nada mais belo que aquelas grandes mãos abertas, feridas e queimadas, que numa vereda do bosque nos indicam o segredo da árvore enterrada, o enigma que a folhagem mantinha, os músculos profundos do domínio vegetal. Trágicas e hirsutas, mostram-nos uma nova beleza: são esculturas da profundidade — obras-primas secretas da natureza.

Certa vez, caminhando com Rafael Alberti entre cascatas, matagais e bosques, perto de Osorno, fez-me ele notar que cada ramo se diferenciava do outro, que as folhas pareciam competir na infinita variedade do estilo.

— Parecem escolhidas por um paisagista botânico para um parque estupendo — dizia-me.

Anos depois, em Roma, Rafael recordou-me aquele passeio e a opulência natural dos nossos bosques. Assim era. Já assim não é. Penso com melancolia nas minhas andanças de menino e de jovem entre Boroa e Carahue, ou em direcção a Toltén, pelos cerros da costa. Quantas descobertas! O garbo da caneleira e a sua fragrância depois da chuva, os líquenes com a barba de Inverno pendendo dos rostos inumeráveis do bosque...

Empurrava as folhas caídas, procurando divisar o relâmpago de alguns coleópteros—os cárabos dourados, que se tinham vestido de furta-cores para dançar um minúsculo bailado sob as raízes.

Ou mais tarde, ao atravessar a cavalo a cordilheira para o lado argentino, sob a abóbada verde das árvores gigantescas, quando surgiu um obstáculo: a raiz de uma delas, mais alta que as nossas montadas, impedia-nos a passagem. Só à força de trabalho de machado foi possível abrir caminho. Aquelas raízes eram como catedrais tombadas — magnitude descoberta que nos impunha a sua grandeza.

Pablo Neruda, in "Confesso que Vivi"
 
Retirado de Citador

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Segunda-feira, 18 de Maio de 2015

Pablo Neruda - Eu Simplesmente Amo-te

pablo-neruda.jpg

Eu Simplesmente Amo-te

Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se.

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor"

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Sexta-feira, 8 de Maio de 2015

Pablo Neruda no Facebook - A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos

Pablo Neruda, pessoas

A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos

Pablo Neruda


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Domingo, 19 de Abril de 2015

Pablo Neruda no Facebook - Você é livre de fzer as suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências

Neruda, escolhas

 

Você é livre de fzer as suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências

Pablo Neruda


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Domingo, 29 de Março de 2015

Pablo Neruda no Facebook - Encanta-me com uma certa calma, sem pressa

Pablo Neruda, encantamento

 

Encanta-me da maneira que quiseres,
como souberes.
Encante-me para que eu me possa dar.
Encante-me nos mais pequenos detalhes.
Aprende a fazer-me sorrir, aquele sorriso malicioso e agradável,
inocente e carente.
Encante-me com tuas mãos, gesticula quando for preciso, toca-me, quero correr esse risco, sinto necessidade.
Acarinha-me se quiseres, eu irei fingir que não entendo,
e talvez nem quisesse passar por esse momento.
Encante-me com os teus olhos, olha-me profundamente,
mas só por um segundo, depois desvia o olhar,
como se o meu olhar, não tivesse te tivesse conseguido encantar.... 
E então, volta a olhar-me,
tão profundamente, que eu fique perdida
sem saber o que dizer.
Encante-me com as tuas palavras,
Fala-me dos teus sonhos, dos teus prazeres,
Conta-me segredos, sem medos ...
e depois diz-me porque é que me encantei.
Encante-me com serenidade, mas não te esqueças, 
Que também tem de ser com simplicidade, mas cheio de cor, 
não pode haver maldade.
Encanta-me com uma certa calma,
Não tenhas pressa, tenta entender a minha alma.
Encanta-me como se fosse a tua com a primeira namorada, sem subterfúgios, sem cálculos,
sem dúvidas, com certezas.
Encanta-me na calada da madrugada,
na luz do sol, com o arco-íris ou debaixo de chuva.
Encanta-me sem dizeres nada ou até contando tudo, a sorrir ou a chorar, triste ou alegre ...
Mas encanta-me de verdade, com vontade ...
que depois, eu irei confessar que me apaixonei
E prometo encantar-te todos os dias,
Sempre...!!!!

 

Pablo Neruda


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