Sábado, 13 de Maio de 2017

Frases de Fábio Silva no Facebook - Qualquer um pode amar, mas não é qualquer um que ama

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Qualquer um pode amar, mas não é qualquer um que ama. Onde há amor, há poesia e onde há poesia, há um mar de amor

Fábio Silva

 


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Sábado, 29 de Abril de 2017

Ary dos Santos no Facebook - Era uma vez um país

arydossantos.jpg

 

 

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.

 

 

Lisboa, Julho-Agosto de 1975

«As Portas que Abril Abriu«
José Carlos Ary dos Santos

 


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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Frases de P. Leminski no Facebook - antes que a atrde amanheça e a noite vire dia põe posia no café e café na poesia

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antes que a atrde amanheça e a noite vire dia põe posia no café e café na poesia

 P. Leminski 

 


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Sexta-feira, 17 de Março de 2017

AGUENTA - Fundo preto

 

 

Criação e Interpretação: Diana Costa e Silva e Rafaela Covas
Texto: Diana Costa e Silva
Realização: Miguel Marques
Música Original: António Neves da Silva

 

AGUENTA:
Vim aqui hoje para te dizer
Que quem não pára, devora.
Porque é que agarro o ontem e o amanhã
Se temos, agora, o agora?
Que sentido tem falar tão alto,
Quando o outro está já ali?
Esta pressa do nunca há tempo.
Tento não pisar a merda dos cães enquanto caminho,
Aguento o barulho do vizinho,
Passo horas cibernéticas a descomunicar,
Desumanizar, enquanto caminho.
Desejo. Beijo. Deixo.
Solitariamente.
Irreflectidamente.
Egocêntrica. mente.
Aguenta.
Vim aqui hoje para te dizer 
Que te podes demorar,
Respirar mais silêncio,
Reaprender o devagar.
Que sentido tem esta urgência de tudo, já?
Consome rápido que vai acabar,
Se não tens, corre e vai comprar.
Já não presta, deita fora.
Quero novo para estragar.
Chupa. Estraga. Chuta.
Rapidamente.
Avidamente.
Inconsequente. mente.
Aguenta.
Vim aqui hoje para te dizer
Que venho devagar,
Com tempo para gastar,
Tempo que não se perde.
Tenho comigo todo o tempo que me permito,
Tempo com tempo,
Do sem tempo me demito.
Vim aqui hoje, sem roupa, sem cabelo, sem brincos, sem medo, sem dores de cotovelo, sem regras, sem rancor, sem juízos de valor.
Com tudo o que preciso, para ficar, ainda.
© Diana Costa e Silva 2016

 

Facebook: facebook.com/FUNDOPRETOOFICIAL
Instagram: instagram.com/fundopretooficial
Twitter: twitter.com/FUNDOPRETOVIDEO
E-mail: info@fundopreto.com

 


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Quarta-feira, 8 de Março de 2017

Frases de Edgar Allan Poe no Facebook - Toda religião, meu amigo, simplesmente evoluiu a partir de uma fraude: o medo, a imaginação, a ganância, e a poesia.

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"Toda religião, meu amigo, simplesmente evoluiu a partir de uma fraude: o medo, a imaginação, a ganância, e a poesia."

 

Edgar Allan Poe

 

 


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Quinta-feira, 2 de Março de 2017

Frases de Fernando Pessoa no Facebook - é fácil trocar as palavras, difícil é intrepretar os silêncios

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É fácil trocar as palavras
Dificil é interpretar os silêncios!
 
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!

 

É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!

É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!

É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?

A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;

As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,

Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.”

 
Fernando Pessoa

 


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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

Frases de Fernando Pessoa no Facebook - Se às vezes digo que as flores sorriem

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Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXI"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 


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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017

Frases de Natália Correia no Facebook - A poesia está celularmente vinculada à língua mãe

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A poesia está celularmente vinculada à língua mãe e na melhor das hipóteses as melhores traduções são meras recordações

 

Natália Correia

 


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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

Frases do Facebook - Ela era poesia ... ele, não sabia ler

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Ela era poesia, sempre foi.

 

Rica em cada detalhe, delicada com uma flor. Ela tentava explicar, mas de nada adiantava.

 

Ele só entendia de rabiscos.

 

Ela se esforçava, tentava. Em vão, talvez? Ele até tentou, fingiu que tentou, cansou. Não conseguia, ela era complexa demais! Exigia tempo, compreensão, carinho, afeto, amor, e um cara maduro, que soubesse interpretar seus sinais.

 

Ela não estava errada. Ela era igual a todas. Ele é que era diferente. Não suportava um pingo d’água. Não estava acostumado em doar-se a uma outra pessoa de pura e simples vontade. 

 

Cobrava, mas não sabia retribuir.

 

Ela ligava, se importava, cuidava. O que ela quer, afinal?  Estava ali, estampado na cara de todos. O único que não enxergava era ele próprio. Parecia demais para sua cabecinha. Era como se entregasse uma folha escrita para alguém que não sabia ler.

 

Ele não soube interpretar.

 

Começou a rasurá-la. Brigas, discussões, seu coração virava milhões de cacos, mas aos poucos ela ia o reconstruindo. Tentou mostrar de todas as formas. 

Cansou.

 

 

Ele só entendia rascunhos, ela era uma obra prima.

 

 


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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2016

Mia couto no Facebook - Flores

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Flores

 

Ninguém
oferece flores.

A flor,
em sua fugaz existência,
já é oferenda.

Talvez, alguém,
de amor,
se ofereça em flor.

Mas só a semente
oferece flores.

Mia Couto

(in Tradutor de Chuvas)

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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2016

Fernando Pessoa no Facebook - Não sei quantas almas tenho

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Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que eu sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu"?
Deus sabe, porque o escreveu.

 

Fernando Pessoa


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Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016

Eliane Stahl no Facebook - Estou em processo... Há coisas a aprender

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Metamorfose
Mutação
Vida pulsando...
Transformação

Estou em processo...
Há coisas a aprender...
e há coisas a reprogramar...
Há coisas que sou ...
e não quero ser...
Há coisas que ainda não sou...
e quero ser...
Há coisas que sou ...
e ainda não sei...
mas estou buscando saber...

Estou em construção...
Mas já estive em demolição...

Eliane Stahl


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Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

Martins D’Alvarez no Facebook - a preguiça

A poesia no Facebook - a preguiça

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A preguiça ficou doente

Com preguiça de comer.

Preguiça não quis remédio

Com preguiça de beber.

 

Preguiça não sai de casa

Preguiça de levantar!

Preguiça não se espreguiça

Preguiça de esticar.

 

Preguiça tem tal preguiça

De sarar e de viver,

Que preguiça só não morre

Com preguiça de morrer.

 

Martins D’Alvarez

 


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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016

Ricardo Reis no Facebook - Segue o teu destino

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Segue o Teu DestinoSegue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa


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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

Fátima Porto no Facebook - Angolana

angolana

 

ANGOLANA

Fervilha nas veias
Ao som dos batuques,
Em sabor do óleo a escorrer
E no pirão e peixe seco,
Um corpo torneado de mulher

Marimbas e kissanges,
Ouvem-se
P’la lua mensageira,
De Norte a Sul
Por uma Terra tão grande

É com cheiro do café
Em nuvens de algodão,
Nos enfeites de sisal
E no baloiço das cinturas,
Que o pó do terreiro se levanta
Ao bater cadenciado dos pés

Às cores vivas de missangas,
Misturam-se,
Os panos que cobrem teus seios,
Deixando pulsar o coração
Na voz da canção d’um Povo...

Fátima Porto

 Imagem do Facebook

Poema de Porto de Fátima


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Luís de Camões no Facebook - Alma minha gentil, que te partiste

Camões

 

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algũa cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"


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Martha Medeiros - Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Martha

 

Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.


Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajecto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.


Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.


Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.


Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.


Morre lentamente quem não viaja quem não lê quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.


Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.


Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.


Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciálo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.


Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

 

Martha Medeiros


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Terça-feira, 21 de Junho de 2016

O Outono no Facebook - Uma névoa de Outono

Outono

 

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

 

Fernando Pessoa


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Segunda-feira, 20 de Junho de 2016

Fernando Pessoa - Segue o Teu Destino

Destino

 

 

 

 

 

Segue o Teu Destino

 

Segue o teu destino, 
Rega as tuas plantas, 
Ama as tuas rosas. 
O resto é a sombra 
De árvores alheias. 

A realidade 
Sempre é mais ou menos 
Do que nos queremos. 
Só nós somos sempre 
Iguais a nós-proprios. 

Suave é viver só. 
Grande e nobre é sempre 
Viver simplesmente. 
Deixa a dor nas aras 
Como ex-voto aos deuses. 

Vê de longe a vida. 
Nunca a interrogues. 
Ela nada pode 
Dizer-te. A resposta 
Está além dos deuses. 

Mas serenamente 
Imita o Olimpo 
No teu coração. 
Os deuses são deuses 
Porque não se pensam. 

Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa


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Sábado, 11 de Junho de 2016

Fernando Pessoa no Facebook - Tabacaria

Tabacaria

 

 

Tabacaria

 

Não sou nada. 
Nunca serei nada. 
Não posso querer ser nada. 
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. 

Janelas do meu quarto, 
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é 
(E se soubessem quem é, o que saberiam?), 
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, 
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, 
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, 
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, 
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, 
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. 

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. 
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, 
E não tivesse mais irmandade com as coisas 
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua 
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada 
De dentro da minha cabeça, 
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida. 

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu. 
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo 
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, 
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. 

Falhei em tudo. 
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada. 
A aprendizagem que me deram, 
Desci dela pela janela das traseiras da casa, 
Fui até ao campo com grandes propósitos. 
Mas lá encontrei só ervas e árvores, 
E quando havia gente era igual à outra. 
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar? 

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? 
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa! 
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! 
Génio? Neste momento 
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu, 
E a história não marcará, quem sabe?, nem um, 
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. 
Não, não creio em mim. 
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas! 
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo? 
Não, nem em mim... 
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo 
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando? 
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas - 
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -, 
E quem sabe se realizáveis, 
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente? 
O mundo é para quem nasce para o conquistar 
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão. 
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez. 
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo, 
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu. 
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda, 
Ainda que não more nela; 
Serei sempre o que não nasceu para isso; 
Serei sempre só o que tinha qualidades; 
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta 
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira, 
E ouviu a voz de Deus num poço tapado. 
Crer em mim? Não, nem em nada. 
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente 
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo, 
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha. 
Escravos cardíacos das estrelas, 
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama; 
Mas acordámos e ele é opaco, 
Levantámo-nos e ele é alheio, 
Saímos de casa e ele é a terra inteira, 
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido. 

(Come chocolates, pequena; 
Come chocolates! 
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. 
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. 
Come, pequena suja, come! 
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! 
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho, 
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) 

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei 
A caligrafia rápida destes versos, 
Pórtico partido para o Impossível. 
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas, 
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro 
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas, 
E fico em casa sem camisa. 

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas, 
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva, 
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta, 
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida, 
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua, 
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais, 
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -, 
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire! 
Meu coração é um balde despejado. 
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco 
A mim mesmo e não encontro nada. 
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta. 
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam, 
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam, 
Vejo os cães que também existem, 
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo, 
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.) 

Vivi, estudei, amei, e até cri, 
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu. 
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira, 
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses 
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso); 
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo 
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente. 

Fiz de mim o que não soube, 
E o que podia fazer de mim não o fiz. 
O dominó que vesti era errado. 
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. 
Quando quis tirar a máscara, 
Estava pegada à cara. 
Quando a tirei e me vi ao espelho, 
Já tinha envelhecido. 
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. 
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário 
Como um cão tolerado pela gerência 
Por ser inofensivo 
E vou escrever esta história para provar que sou sublime. 

Essência musical dos meus versos inúteis, 
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse, 
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte, 
Calcando aos pés a consciência de estar existindo, 
Como um tapete em que um bêbado tropeça 
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada. 

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta. 
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada 
E com o desconforto da alma mal-entendendo. 
Ele morrerá e eu morrerei. 
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos. 
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também. 
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta, 
E a língua em que foram escritos os versos. 
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu. 
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente 
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas, 
Sempre uma coisa defronte da outra, 
Sempre uma coisa tão inútil como a outra, 
Sempre o impossível tão estúpido como o real, 
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície, 
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?), 
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. 
Semiergo-me enérgico, convencido, humano, 
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário. 

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los 
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. 
Sigo o fumo como uma rota própria, 
E gozo, num momento sensitivo e competente, 
A libertação de todas as especulações 
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto. 

Depois deito-me para trás na cadeira 
E continuo fumando. 
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando. 

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira 
Talvez fosse feliz.) 
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela. 

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). 
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica. 
(O dono da Tabacaria chegou à porta.) 
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. 
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo 
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu. 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa


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Quarta-feira, 8 de Junho de 2016

Santo Agostinho no Facebook - A morte não é nada.

Morte

 

A morte não é nada. 
Eu somente passei 
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, 
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome 
que vocês sempre me deram, 
falem comigo 
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo 
no mundo das criaturas, 
eu estou vivendo 
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene 
ou triste, continuem a rir 
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi, 
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo 
o que ela sempre significou, 
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora 
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora 
de suas vistas?

Eu não estou longe, 
apenas estou 
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.

 

Santo Agostinho


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Terça-feira, 7 de Junho de 2016

Fátima Porto no Facebook - Ah se os teus olhos negros, Voassem com o tempo da distância

Olhos negros

 

…Ah se os teus olhos negros,
Voassem com o tempo da distância,
Calariam a Saudade
Na clareza dos olhos meus

E como falariam 
Num beijo d’Amor…

 

Fátima Porto


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Terça-feira, 31 de Maio de 2016

Paulo Leminski no Facebook - No fundo, no fundo, bem lá no fundo,

No fundo

 

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

 

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

 

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

 

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

 

Paulo Leminski


publicado por olhar para o mundo às 08:13
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Domingo, 29 de Maio de 2016

Pablo Neruda no Facebook - Amo-te Sem Saber Como

amo-te.jpg

 

 

Amo-te Sem Saber Como

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou seta de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te directamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor"

 


publicado por olhar para o mundo às 12:13
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2016

Cecília Meireles - De que são feitos os dias?

Meireles

 

De que são feitos os dias? 
- De pequenos desejos, 
vagarosas saudades, 
silenciosas lembranças. 

Entre mágoas sombrias, 
momentâneos lampejos: 
vagas felicidades, 
inactuais esperanças. 

De loucuras, de crimes, 
de pecados, de glórias 
- do medo que encadeia 
todas essas mudanças. 

Dentro deles vivemos, 
dentro deles choramos, 
em duros desenlaces 
e em sinistras alianças... 

Cecília Meireles, in 'Canções'


publicado por olhar para o mundo às 08:13
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2016

Fábio Silva diz Fernando Pessoa (Se Eu Pudesse Trincar a Terra Toda)

 

Gostem: https://www.facebook.com/fabionucomum...

Texto de Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa)
Instrumental - Fábio Silva
Dito pelo poeta e dizedor Fábio Silva
(Autor do livro "Nu Comum",e dos vídeos:
-"Um dia" http://www.youtube.com/watch?v=9QdZTV... 
- "Nu Comum" http://www.youtube.com/watch?v=lwN26f... 
- "Possuir" https://www.youtube.com/watch?v=nKYsJ... )

 

 

 

Se Eu Pudesse Trincar a Terra Toda

 

Se eu pudesse trincar a terra toda 

E sentir-lhe um paladar, 
Seria mais feliz um momento ... 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural... 
Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva ... 
O que é preciso é ser-se natural e calmo 
Na felicidade ou na infelicidade, 
Sentir como quem olha, 
Pensar como quem anda, 
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
E que o poente é belo e é bela a noite que fica... 
Assim é e assim seja ... 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI" 
Heterónimo de Fernando Pessoa


publicado por olhar para o mundo às 01:13
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2016

Sophia de Mello Breyner Andresen no Facebook - Um dia, gastos, voltaremos

Sophia de Mello Breyner

 

Um dia, gastos, voltaremos 
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.


O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.


Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.


Sophia de Mello Breyner Andresen


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Quinta-feira, 24 de Março de 2016

Fernando Pessoa no Facebook - Segue o Teu Destino

Destino

 

 

Segue o Teu Destino

 

Segue o teu destino, 
Rega as tuas plantas, 
Ama as tuas rosas. 
O resto é a sombra 
De árvores alheias. 

A realidade 
Sempre é mais ou menos 
Do que nos queremos. 
Só nós somos sempre 
Iguais a nós-proprios. 

Suave é viver só. 
Grande e nobre é sempre 
Viver simplesmente. 
Deixa a dor nas aras 
Como ex-voto aos deuses. 

Vê de longe a vida. 
Nunca a interrogues. 
Ela nada pode 
Dizer-te. A resposta 
Está além dos deuses. 

Mas serenamente 
Imita o Olimpo 
No teu coração. 
Os deuses são deuses 
Porque não se pensam. 

Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa


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Terça-feira, 8 de Março de 2016

Sophia de Mello Breyner Andresen no FAcebook - Escuto mas não sei Se o que oiço é silêncio Ou deus

 Escuto

 

 

Escuto mas não sei

Se o que oiço é silêncio

Ou deus

 

Escuto sem saber se estou ouvindo

O ressoar das planícies do vazio

Ou a consciência atenta

Que nos confins do universo

Me decifra e fita

 

 

Apenas sei que caminho como quem

É olhado amado e conhecido

E por isso em cada gesto ponho

Solenidade e risco.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen


publicado por olhar para o mundo às 17:13
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Segunda-feira, 7 de Março de 2016

Virgílio Teixeira no Facebook - Pouco importa quem sou eu

Escuto

 

Pouco importa quem sou eu
De onde venho, para onde vou
Eu corro para te encontrar.
Para trás o que ficou
Foi um sonho que acabou
Só me resta recordar.

Se recordar é viver
Porque te vou esquecer?
Se te esquecer, é sofrer
Eu corro para te ver
Para ver o teu olhar
Para ao ouvido te dizer
O quanto te quero amar.

Virgílio Teixeira


publicado por olhar para o mundo às 21:13
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