Segunda-feira, 24 de Outubro de 2016

Francisco Sá Carneiro no Facebook - A política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha

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 A política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha

Francisco Sá Carneiro

 


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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016

A Cegueira da Governação - Padre António Vieira

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A Cegueira da Governação

 

Príncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ruína dos vossos Reinos, vedes as aflições e misérias dos vossos vassalos, vedes as violências, vedes as opressões, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assolação de tudo? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Príncipes, Eclesiásticos, grandes, maiores, supremos, e vós, ó Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destroços da Fé, vedes o descaimento da Religião, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados públicos, vedes os escândalos, vedes as simonias, vedes os sacrilégios, vedes a falta da doutrina sã, vedes a condenação e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou não o vedes. Se o vedes, como não o remediais, e se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obrigações que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consciências, vedes as desatenções do governo, vedes as injustças, vedes os roubos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes as potências dos grandes e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos pobres, os clamores e gemidos de todos? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos.

Padre António Vieira, in "Sermões"

 

Retirado de Citador


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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016

O que verdadeiramente mata Portugal - Eça de Queirós

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O Que Verdadeiramente Mata Portugal

 

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de angústia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, é a desconfiança. O povo, simples e bom, não confia nos homens que hoje tão espectaculosamente estão meneando a púrpura de ministros; os ministros não confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença. O estado de expectativa e de demora cansa os espíritos. Não se pressentem soluções nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discussões aparatosas e sonoras; o país, vendo os mesmos homens pisarem o solo político, os mesmos ameaços de fisco, a mesma gradativa decadência. A política, sem actos, sem factos, sem resultados, é estéril e adormecedora.

Quando numa crise se protraem as discussões, as análises reflectidas, as lentas cogitações, o povo não tem garantias de melhoramento nem o país esperanças de salvação. Nós não somos impacientes. Sabemos que o nosso estado financeiro não se resolve em bem da pátria no espaço de quarenta horas. Sabemos que um deficit arreigado, inoculado, que é um vício nacional, que foi criado em muitos anos, só em muitos anos será destruído.

O que nos magoa é ver que só há energia e actividade para aqueles actos que nos vão empobrecer e aniquilar; que só há repouso, moleza, sono beatífico, para aquelas medidas fecundas que podiam vir adoçar a aspereza do caminho.


Trata-se de votar impostos? Todo o mundo se agita, os governos preparam relatórios longos, eruditos e de aprimorada forma; os seus áulicos afiam a lâmina reluzente da sua argumentação para cortar os obstáculos eriçados: as maiorias dispõem-se em concílios para jurar a uniformidade servil do voto. Trata-se dum projecto de reforma económica, duma despesa a eliminar, dum bom melhoramento a consolidar? Começam as discussões, crescendo em sonoridade e em lentidão, começam as argumentações arrastadas, frouxas, que se estendem por meses, que se prendem a todo o incidente e a toda a sorte de explicação frívola, e duram assim uma eternidade ministerial, imensas e diáfanas.

O país, que tem visto mil vezes a repetição desta dolorosa comédia, está cansado: o poder anda num certo grupo de homens privilegiados, que investiram aquele sacerdócio e que a ninguém mais cedem as insígnias e o segredo dos oráculos. Repetimos as palavras que há pouco Ricasoli dizia no parlamento italiano: «A pátria está fatigada de discussões estéreis, da fraqueza dos governos, da perpétua mudança de pessoas e de programas novos.»


Eça de Queirós, in 'Distrito de Évora'

 

Retirado de Citador


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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016

Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias - Guerra Junqueiro

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Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias

 

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.

Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'

 

Retirado de Citador


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Terça-feira, 16 de Agosto de 2016

Pepe Mujica no Facebook - Quem come bem acha que se gasta a mais em política social

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Quem come bem acha que se gasta a mais em política social

Los que comem bien piensan que se gasta demas en política social

 

Pepe Mujica

Presidente do Uruguay


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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016

Miguel Torga no Facebook - A política é para eles uma promoção e para mim uma aflição

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"A política é para eles uma promoção e para mim uma aflição. E não há entendimento possível entre nós... Separa-nos um fosso da largura da verdade... Ouvir um político é ouvir um papagaio insincero."

 

Miguel Torga


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Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

Álvaro Cunhal - Encaminhamo-nos para uma Grave Crise

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Encaminhamo-nos para uma Grave Crise

A situação económica tem-se agravado e tenderá a agravar-se. Tendo causas estruturais, as dificuldades da economia não podem ser vencidas por medidas através das quais o governo procura fazer face aos mais agudos problemas de conjuntura. O afrouxamento do ritmo de desenvolvimento, a baixa da produção agrícola, os défices sempre crescentes, do comércio externo, a inflacção, a acentuação do atraso relativo da economia portuguesa em relação às economias dos outros países europeus, mostram a incapacidade do regime para promover o aproveitamento dos recursos nacionais, o fracasso da «reconversão agrícola» e a asfixia da economia portuguesa pela dominação monopolista, pelas limitações do mercado interno provocadas pela política de exploração e miséria das massas e pela subjugação ao imperialismo estrangeiro. (...) O processo de integração europeia, dado o atraso da economia portuguesa, agravará a situação.

Os monopólios dominantes e o seu governo procuram sair das contradições e dificuldades, assegurar altos lucros, apressar a acumulação, conseguir uma capacidade competitiva no mercado internacional: 1) intensificando ainda mais a exploração da classe operária e das massas trabalhadoras; 2) aumentando os impostos; 3) dando curso à subida dos preços; 4) apressando a centralização e a concentração; 5) pondo de forma crescente os recursos do Estado ao serviço dos monopólios; 6) submetendo de forma crescente a economia portuguesa ao imperialismo estrangeiro; 7) procurando assegurar as fontes externas para o equilíbrio financeiro, designadamente turismo e remessas de emigrantes.

No plano económico, tal orientação encaminhará o país para uma grave crise. No plano social e político, a evolução da situação económica tenderá a aumentar a tensão social e a intensificar a luta de classes.

Álvaro Cunhal , in "Sobre a Situação Política e as Tarefas do Partido (1973)"
 
Retirado de Citador
 

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Quinta-feira, 16 de Junho de 2016

Franz Kafka no Facebook - Dez cretinos...são um Partido Político !! "

Kafka

 

 

"Um cretino é um cretino.

Dois cretinos são dois cretinos.

Dez cretinos...são um Partido Político !! "

Franz Kafka


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Quarta-feira, 6 de Abril de 2016

Márcia Tuburi - “Democracia Não É Apenas Voto, É A Atitude Capaz De Revelar O Sentido Da ‘Felicidade Política’”

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“Democracia Não É Apenas Voto, É A Atitude Capaz De Revelar O Sentido Da ‘Felicidade Política’”

“Além do desejo de felicidade comum a cada pessoa individual, há um desejo ao qual precisamos hoje dar nome próprio, o desejo da felicidade política. No Brasil a política é, há tempos, e cada vez com mais veemência, destruída por mascarados e transformada num território de ninguém. A idéia de política como espaço da realização da comunidade, de cada indivíduo que se une em torno do bem comum, foi destruída há muito tempo. Talvez nem tenha nascido entre nós. De qualquer modo, é preciso assegurar que haja ainda sementes desta idéia que possam alimentar-nos no futuro. Do contrário, sem rumo político, sem a idéia do bem para todos, não haverá esperança, apenas a colonização e a escravidão com a qual iniciamos a história que precisamos a cada dia superar em nosso presente.

 

Não sabemos muito bem o que é política além do baile de máscaras que vemos pelos jornais, mas sabemos que uma das palavras que traduz sua incógnita é a democracia.  Podemos dizer que ser feliz politicamente é hoje realizar a democracia. A democracia é uma palavra capaz de traduzir toda a nossa utopia política, nosso desejo de uma sociedade em que a vida boa seja a possibilidade geral. Se nem falamos tanto em política, pois perdemos seu sentido, a democracia parece ser a palavra mágica ainda capaz de assegurar este sentido perdido. Uma vida em nome da democracia parece a todos nós uma vida boa, porque justa. É preciso a cada dia revalidar o batismo e rever o que nasce sob a luz de nosso sonho. E é preciso sonhar e reinventar o futuro.

 

Apesar disso jamais, desde sua invenção, abandonamos a democracia. A modernidade refez o teor da democracia traduzindo-a em nossa capacidade de voto: é a democracia representativa. Quem eleger, como eleger, são questões que nos martelam a mente dia após dia, sobretudo, em tempos de eleição. Mas será só isso? A democracia representativa é prática, mas pouco utópica, exige uma resposta imediata. Nosso tempo é rei no elogio da prática e desdenhoso dos ideais, postura que precisa com urgência ser revista.

 

A pergunta que precisamos colocar hoje nos toca num ponto grave: será possível manter o sentido da política e mesmo da democracia se pensamos que a democracia é apenas o voto? Somos apenas inábeis para o voto? Ou será que é toda a concepção da política que está hoje perdida? Não seria a hora de re-colocar em cena e com toda a força a ideia de uma ‘felicidade política’?”.


(Crônica de Márcia Tuburi – Publicada na Revista BemStar. São Paulo: Ed. Lua. Número 16, 2006. P. 37).

 

Retirado de Portal Raizes


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Quarta-feira, 16 de Março de 2016

Lula da Silva no Facebook - No Brasil quando um pobre rouba vai para a cadeia, quando um rico rouba vira ministro

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No Brasil quando um pobre rouba vai para a cadeia, quando um rico rouba vira ministro

Lula da Silva em 1988

 


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Segunda-feira, 14 de Março de 2016

Ricardo Araújo Pereira - Caros cidadãos de Portugal

Ricardo Araújo Pereira

 

Caros cidadãos de Portugal,

 

Portugal é, sinceramente, a minha parte favorita de Angola, e tive o privilégio de poder confidenciar isto mesmo a Nelson Mandela, quando ele ainda jogava no Benfica

 

Estive há dias no vosso país (acho eu) e parece que cometi um erro. Disse que Cristóvão Colombo era vosso compatriota quando, ao que parece, ele nasceu em Génova. O que significa que era grego, ou assim. Enfim, os povos do sul da Europa acabam por ser todos muito parecidos. Também tenho dificuldade em distinguir africanos e chineses. Sendo oriundo de uma potência como o Luxemburgo, estive muito ocupado a estudar a longa história do meu país, e a conhecer a sua vasta geografia. Por isso, faltou-me disponibilidade para me dedicar à história de países mais pequenos, como o vosso. Além disso, no Luxemburgo temos pouquíssimo contacto com portugueses, pelo que a minha ignorância está desculpada, creio eu.

 

            Vamos ao essencial. O meu objectivo era comparar o socialismo com um período negro da história mundial. Por isso, escolhi inteligentemente uma época que os portugueses abominam: os Descobrimentos. Cristóvão Colombo era, na verdade, um socialista: ia sem saber para onde à custa dos contribuintes - e com que resultados? Nenhuns. Não admira que tenha sido esquecido pela história e que, hoje, alguns altos dignitários europeus nem saibam exactamente quem ele foi e onde nasceu. Diz-se que Cristóvão Colombo descobriu a América. Pois bem, eu já estive na América, e é enorme. Imaginem as vossas cidades de Málaga e Bordéus juntas. A América é ainda maior. Não é nada difícil de descobrir. Vê-se do espaço. Perguntem ao vosso compatriota Neil Armstrong. Ele foi a Júpiter, e sabe do que fala.

 

            Portugal é, sinceramente, a minha parte favorita de Angola, e tive o privilégio de poder confidenciar isto mesmo a Nelson Mandela, quando ele ainda jogava no Benfica. Nessa medida, e como diz Passos Coelho, o vosso país tem em mim um amigo. Creio que o desconhecimento mútuo é o melhor aliado da amizade. Quanto mais se conhece o outro, mais características desagradáveis lhe descobrimos. E eu já demonstrei que não faço a mínima ideia de quem vocês são e do que fizeram. Terei todo o prazer em defender, na Comissão Europeia, os vossos interesses, mal descubra quais são.

 

Como dizia o vosso Cervantes: "Ser ou não ser, eis a questão." Portugal tem de optar entre ser socialista, como Cristóvão Colombo, ou ser sábio e ajuizado, como eu. Avaliem a dimensão de ambas as figuras na história da Europa e do Mundo e decidam em conformidade. Gracias e hasta luego, como se diz aí.

 

            Cordialmente,

            Jean-Claude Juncker



Retirado da Visão


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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2016

Luís Osório - Os Filhos dos Retornados Chegaram ao Poder

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Os Filhos dos Retornados Chegaram ao Poder

 

Em 1975, meio milhão de portugueses das colónias desembarcavam em Lisboa com uma mão à frente e outra atrás.

 

Em Angola e Moçambique, sobretudo aí, eram donos do espaço e viviam sem preocupações de tempo ou angústias financeiras. Para eles, a morte do Estado Novo trouxe-lhes o fim do paraíso e abriu-lhe as portas a um inferno que nunca poderão esquecer.

 

Para muitos, Mário Soares é a besta negra. Responsabilizam-no, mais do que a Cunhal, por exemplo, por tudo ter corrido mal. Por muito que o fundador do Partido Socialista fale no peso das circunstâncias ou na pressão internacional motivada pelo equilíbrio de poder entre americanos e russos, o certo é que poucos o ouviram ou ouvem. Quase 40 anos depois, pouco interessa a questão da culpa ou da inocência, para eles é o homem que podia ter evitado e não evitou. O réu para os que perderam tudo o que tinham. Para os que chegaram nas pontes aéreas e foram tratados como brancos de segunda, tratados como, porventura, alguns de entre eles tratavam os negros em Angola e Moçambique.

 

Retornados. Nome que é um rótulo, um peso que os marcou como ferro em brasa. Ainda assim, um processo que correu anormalmente bem – sobretudo se comparado ao que acontecera com as descolonizações francesas. As pessoas foram distribuídas por todo o território, de Norte a Sul os que a si próprios se definiam como ‘espoliados’ puderam recomeçar. Do zero, claro. E os seus filhos, pequenos ou ainda por nascer, também pagaram o preço da profunda infelicidade dos pais, um peso que certamente os terá influenciado. Para o bem e para o mal.

 

Para o mal, o ressentimento. Para o bem, a vontade de ganhar e uns horizontes mais largos do que a maioria dos que, na metrópole, haviam nascido. Habituados à terra a perder de vista estavam capacitados para ver mais longe e com maior alcance. Vários reconstruíram riquezas, montaram negócios, fizeram boas carreiras.

 

Onde quero chegar? A um ponto interessante e fundamental para balizar a nossa história contemporânea. Porque este é o tempo em que os filhos desses homens e mulheres obrigados a começar tudo de novo, filhos do ressentimento e de uma África de largos horizontes, chegaram ao poder.

 

O facto poderá ser visto por alguns como uma prova de que as feridas não estão saradas, justificando as medidas do actual Governo como uma espécie de vingança psicanalítica. Mas para outros será o ponto final parágrafo numa narrativa de sucesso, a história de 500 mil portugueses que perderam uma vida e começaram do zero numa terra que, na verdade, tantos não conheciam.

 

Para os primeiros, é a prova de que o ressentimento passa de pais para filhos. Para os segundos, a prova de que Portugal soube sarar as feridas e incorporar a força, o talento e o largo olhar dos que regressaram.

 

Os críticos terão mais um motivo para atacar porque se convencerão que é gente que deseja ajustar contas. Os que acreditam dirão que é a grande oportunidade de Portugal mudar na sua mentalidade.

 

Mudar esta tendência para que, em todas as épocas da História, as elites perguntem se existe futuro para o nosso país. Como escrevi há uns dias, num ‘postal’ para amigos: «É uma marca genética, um traço que nos distingue dos alemães, ingleses ou franceses; ao contrário deles, banhados de certezas, temos a arrogância da dúvida permanente. Somos orgulhosos, mas fazemos por escondê-lo, como se fôssemos cristãos a rezar nas catacumbas após a morte de Cristo. Quando falamos do que somos, dizemos ‘os portugueses’ e não ‘nós, os portugueses’. Somos o que somos. Umas vezes, tanto. Outras vezes, nada. Adoramos o que detestamos, odiamos o que amamos. Temos o Sol, mas inventámos o fado. Falamos de medo e partimos à conquista do mundo. Temos inveja e somos generosos. Somos uma coisa e o seu contrário».

 

A história e os cobradores de fraque decretaram-nos da urgência de mudar. A delícia da inconstância é boa para salões e crédito, e uma tragédia para quem perdeu anéis e já só tem os dedos para oferecer.

 

Nesta perspectiva, ter Pedro Passos Coelho em São Bento é uma boa notícia. Ainda não completara os dez anos quando Salgueiro Maia e os capitães de Abril impuseram o fim do Estado Novo ao compasso da voz de Zeca Afonso. Com uma infância angolana, como Miguel Relvas, viu os pais lutarem com dificuldades e sacrifício para alcançar um futuro para os seus filhos.

 

Em 1974, e no regresso dos retornados nas célebres pontes aéreas de um ano depois, ninguém daria nada por aqueles miúdos de calções e, certamente, olhar assustado. Não passavam de brancos de segunda. Ressentidos e sem futuro.

 

Afinal, o futuro revelou-se de um outro modo. Como aliás sempre acontece. Os filhos conquistaram o poder. E uma parte de Portugal, tal como aconteceu com os seus pais, grita para que desapareçam, para que tenham vergonha na cara, para que nunca mais voltem.

 

O ressentimento tem sempre múltiplas faces, está em todo o lado e não é exclusivo de ninguém em particular. É democrático. Um património de todos. Infelizmente.

 

A História é uma maravilhosa caixa de surpresas, não é?

 

Retirado do Sol


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Domingo, 15 de Novembro de 2015

Frases do Facebook - Éramos todos humanos até que: a raça nos desligou, a religião nos separou ...

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Éramos todos humanos até que:

a raça nos desligou,

a religião nos separou,

a política nos dividiu

e o dinheiro nos classificou

 


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Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

Humor no Facebook - Vai ser estranho ir à festa do Avante e ouvir falar bem do governo

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Vai ser estranho ir à festa do Avante e ouvir falar bem do governo

 


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Sábado, 24 de Outubro de 2015

Ricardo Araújo Pereira - A palavra do ano é mas

 

 

Cavaco exige dar posse a um governo maioritário, mas não se a maioria incluir os partidos à esquerda do PS. Jerónimo de Sousa viabiliza um governo do PS para que haja uma política alternativa à coligação, mas disse que o PS e a coligação eram farinha do mesmo saco. António Costa perdeu as eleições, mas pode ser primeiro-ministro. A coligação passou quatro anos a dizer que não havia alternativa, mas quer negociar com o PS políticas alternativas. O Bloco manifesta abertura para apoiar o PS, mas disse que o PS tinha sido a desilusão da campanha eleitoral. Durão Barroso diz que os eleitores socialistas não votaram no PS para um governo com o PCP e o BE, mas é igualmente improvável que tenham votado no PS para um governo com o PSD e o CDS.

 

A bolsa perde agora milhões por causa da hipótese de um governo de esquerda, mas perdeu 2,3 mil milhões quando Paulo Portas revogou a irrevogabilidade. A composição da Assembleia da República indica que o povo português votou maioritariamente contra a coligação, mas também indica que votou maioritariamente a favor do respeito pelo tratado orçamental. A direita diz que um eventual governo de esquerda não respeitaria a Constituição, mas passou quatro anos a desrespeitar a Constituição.

 

António Costa substituiu o anterior líder do PS por ele ter ganho por poucochinho, mas não quer sair depois de ter perdido por bastantezinho. Cavaco defende a estabilidade, mas pode patrocinar a turbulência. Tudo isto é bastante confuso, mas tem graça.

 

Bem vistas as coisas, «mas» significa política. Cavaco não gosta de mas. Isto de as pessoas se oporem umas às outras, de as circunstâncias mudarem, de ser necessário fazer escolhas, nunca lhe agradou. O que é bonito é o consenso.

 

Acontece que Cavaco é sonso quando pede consenso. Na verdade, Cavaco é um consonso: deseja o consenso desde que seja em torno da sua opinião. O povo português deu duas maiorias absolutas a Cavaco Silva e elegeu-o Presidente por duas vezes à primeira volta. Mas lá está, desta vez não lhe fez a vontade. Portugal pode estar menos estável, mas está mais interessante.

 

Ricardo Araújo Pereira

 

Retirado da Visão


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Terça-feira, 13 de Outubro de 2015

Humor no Facebook - Uma maioria inconseguida

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Os senhores sabem o que é uma maioria inconseguida?

 


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Sábado, 10 de Outubro de 2015

Frases do Facebook - Portugal criou a geração mais bem preparada, para obedecer sem questionar

Geração

  

Portugal criou a geração mais bem preparada, para obedecer sem questionar


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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2015

Agostinho da Silva no Facebook - Podes e deves ter ideias políticas

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Podes, e deves, ter ideias políticas, mas, por favor, as «tuas» ideias políticas, não as ideias do teu partido; o «teu» comportamento, não o comportamento dos teus líderes; os interesses de «toda» a Humanidade, não os interesses de uma «parte» dela. E lembra-te de que «parte» é a etimologia de «partido».

 

Agostinho da Silva

 


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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2015

Lindon Johnson no Facebook - Se há um idiota no poder, os que o elegeram estão bem representados

idiota

 

 

Se há um idiota no poder, os que o elegeram estão bem representados

Lindon Johnson


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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015

Frases do Facebook - País desenvolvido não é onde o pobre tem carro, é onde o rico usa transporte público

País desenvolvido

 

 País desenvolvido não é onde o pobre tem carro, é onde o rico usa transporte público


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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015

A austeridade no Facebook - Esquecer Eu sabia que um dia me ia esquecer de tudo, Não sabia é que o governo se ia esquecer de mim

Esquecer

 

Eu sabia que um dia me ia esquecer de tudo, Não sabia é que o governo se ia esquecer de mim


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Sábado, 15 de Agosto de 2015

António Lobo Antunes - Um dó li tá

António Lobo Antunes

 

Existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé?

 

Perguntam-me muitas vezes por que motivo nunca falo do governo nestas crónicas e a pergunta surpreende-me sempre. Qual governo? É que não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um baptizado ou um casamento. Claro que as crianças lhes acrescentaram um pin na lapela, porque é giro

 

- Eh pá embora usar um pin?

 

que representa a bandeira nacional como podia representar o Rato Mickey

 

- Embora pôr o Rato Mickey?

 

mas um deles lembrou-se do Senhor Scolari que convenceu os portugueses a encherem tudo de bandeiras, sugeriu

 

- Mete-se antes a bandeira como o Obama

 

e, por estarem a brincar às pessoas crescidas e as play-stations virem da América, resolveram-se pela bandeirinha e aí andam, todos contentes, que engraçado, a mandarem na gente

 

- Agora mandamos em vocês durante quatro anos, está bem?

 

depois de prometerem que, no fim dos quatro anos, comem a sopa toda e estudam um bocadinho em lugar de verem os Simpsons. No meio dos meninos há um tio idoso, manifestamente diminuído, que as famílias dos meninos pediram que levassem com eles, a fim de não passar o tempo a maçar as pessoas nos bancos, de modo que o tio idoso, também de pin

 

- Ponha que é curtido, tio

 

para ali anda a fazer patetices e a dizer asneiras acerca de Angola, que os meninos acham divertidas e os adultos, os tontos, idiotas. Que mal faz? Isto é tudo a fazer de conta.

 

Esta criançada é curiosa. Ensinaram-me que as pessoas não devem ser criticadas pelos nomes ou pelo aspecto físico mas os meninos exageram, e eu não sei se os nomes que usam são verdadeiros: existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé? É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal. No lugar deles arranjava outros pseudónimos: Touro Sentado, Nuvem Vermelha, Cavalo Louco. Também é giro, também é americano, pá, e, sinceramente, tanto álcool no jardim escola preocupa-me. A ASAE devia andar de olho na venda de espirituosas a menores. Outra coisa que me preocupa é a ignorância da língua portuguesa nos colégios. Desconhecem o significado de palavras como irrevogável. Irrevogável até compreendo, uma coisa torcida, e a gente conhece o amor dos pequerruchos pelos termos difíceis, coitadinhos, não têm culpa, mas quando, na Assembleia, um deles declarou

 

- Não pretendo esconder nem ocultar

 

apesar da palermice me enternecer alarmou-me um nadita, mau grado compreender que o termo sinónimo seja complicado para alminhas tão tenras. Espíritos tortuosos ou manifestamente mal formados insinuam, por pura maldade, que os garotos mentem muito, o que é injusto e cruel. Eles, por inevitável ingenuidade, não mentem nem faltam às promessas que fazem: temos de levar em conta a idade e o facto da estrutura mental não estar ainda formada, e entender que mudar constantemente de discurso, desdizer-se, aldrabar, não possui, na infância, um significado grave. A irrealidade faz parte dos cérebros em evolução e, com o tempo, hão-de tornar-se pessoas responsáveis: não podemos exigir-lhes que o sejam já, é necessário ser tolerante com os pequerruchos, afagá-los, perdoar-lhes. Merecem carinho, não crítica, uma festa na cabecinha do garoto que faz de primeiro-ministro, outra na menina que eles escolheram para as Finanças e por aí fora. Não é com dureza desnecessária e espírito exageradamente rígido que os educamos. No fundo limitam-se a obedecer a uns senhores estrangeiros, no fundo, tão amorosos, que mal fazem eles para além de empobrecerem a gente, tirarem-nos o emprego, estrangularem-nos, desrespeitarem-nos, trazerem-nos fominha, destruírem-nos? São miúdos queridos, cheios de boa vontade, qual o motivo de os não deixarmos estragar tudo à martelada? Somos demasiado severos com a infância, enervam-nos os impetuosos que correm no meio das mesas dos restaurantes, aos gritos, achamos que incomodam os clientes, a nossa impaciência é deslocada. Por trás deles há pessoas crescidas a orientarem-nos, a quem tentam agradar como podem à custa daqueles que não podem. Os portugueses, e é com mágoa que escrevo isto, têm sido injustos com a infância. Deixem-nos estragar, deixem-nos multiplicar argoladas, deixem-nos não falar verdade: faz parte da aprendizagem das mulheres e homens de amanhã. Sigam o exemplo do Senhor Presidente da República que paternalmente os protege, não do senhor Ex-Presidente da República, Mário Soares, que de forma tão violenta os ataca e, se vos sobrar algum dinheiro, carreguem-lhes os telemóveis para eles falarem uns com os outros acerca da melhor forma de nos deixarem de tanga. Qual o problema se há tanto sol neste País, mesmo que não esteja lá muito certo de o não haverem oferecido aos alemães? E, de pin no casaco que nos fanaram, isto é, de pin cravado na pele

 

(ao princípio dói um bocadinho, a seguir passa)

 

encorajemos estes minúsculos heróis com um beijinho, cheio de ternura, nas testazitas inocentes.



Retirado da Visão


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Terça-feira, 11 de Agosto de 2015

A abstenção no Facebook - Ainda pensa que a abstenção é a solução?

cavaco.jpg

 

 

Ainda pensa que a abstenção é a solução?

 


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Segunda-feira, 27 de Julho de 2015

Frases do Facebook - O Lobo só é mau porque as ovelhas são mansas

O lobo

 

O Lobo só é mau porque as ovelhas são mansas


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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015

Mia couto no Facebook - Não há outro caminho que não seja a insubordinação

Insubordinação

 

Não há outro caminho que não seja a insubordinação

Mia Couto


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Terça-feira, 14 de Julho de 2015

Imagem do Facebook - Políticos presos por corrupção

 


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Quarta-feira, 8 de Julho de 2015

Albert Einstein - A Falsa Sabedoria Política

einstein.jpg

 

 

A Falsa Sabedoria Política

É reduzido o número daqueles que vêem com os seus próprios olhos e sentem com o próprio coração. Mas da sua força dependerá que os homens tendam ou não a cair no estado amorfo para onde parece caminhar hoje uma multidão cega.
Quem dera que os povos vissem a tempo, quanto terão de sacrificar da sua liberdade para escapar à luta de todos contra todos! A força da consciência e do espírito internacional demonstrou ser demasiado fraca. Apresenta-se agora superficialmente enfraquecida para consentir a formação de pactos com os mais perigosos inimigos da civilização. Existe, assim, uma espécie de compromisso, criminoso para a Humanidade, embora o considerem como sabedoria política.
Não podemos desesperar dos homens, pois nós próprios somos homens.

Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo'

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Sábado, 13 de Junho de 2015

Carta aberta ao presidente da República

4 de Julho de 2013.

 

Exmo. Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

Presidente da República de Portugal

 

Estas últimas 48h deixaram Portugal num verdadeiro estado de emergência nacional. Foram 48h de movimentações políticas e partidárias, provocadas por altos dirigentes que foram democraticamente mandatados pelo povo português para defenderem os superiores interesses nacionais, mas que revelaram uma irresponsabilidade difícil de compreender e aceitar por qualquer cidadão. Foram 48h em que a credibilidade internacional do nosso país foi trucidada e atirada ao chão. Os mercados financeiros internacionais voltaram a duvidar de que somos capazes de arrumar a nossa própria casa e assim caminhamos vertiginosamente para a necessidade de um segundo resgate financeiro. O povo português vê agora que os esforços que acumulou ao longo destes 2 anos (aliás… bem mais do que isso), e que levaram muitos portugueses para o desemprego e para níveis de pobreza desumanos numa sociedade desenvolvida como a nossa, não têm valor nem retorno. Em democracia é usual ouvir-se que a liberdade de um termina quando toca a liberdade do próximo. Acções políticas desta índole são efectivamente criminosas para a nossa liberdade, seja pela perda do poder de compra, pela impossibilidade de seguir uma carreira profissional, ou pelo carimbo com que cada um de nós fica cada vez que sai do país. Há um sentimento muito grande de tristeza, frustração e angústia quando vejo o meu país neste caminho. É tempo de dizer basta, romper com o que é a tradição política em Portugal e agir.

 

Sua Excelência, Presidente da República, este governo… com estas pessoas, falhou. A crise política criada por divergências internas de quem demonstrou não ser capaz de gerar consensos na sua própria equipa é demonstrativo da falta de legitimidade que sobra para governar. Pensar que Portugal vai conseguir combater os desafios sociais, políticos e económicos que se avizinham com uma coligação de remendos que não traz confiança nem ao país nem aos parceiros globais é um erro crasso. Infelizmente a incapacidade de gerar confiança e movimentar "as tropas" para um objectivo comum é algo transversal aos nossos líderes políticos actuais e Portugal não precisa e não vai aceitar uma mudança de pessoas para a mesma política. 

 

Não sou contra a política e reconheço a política como instrumento fundamental em democracia para defender o interesse dos povos. Mas é imperativo percebermos que só vamos conseguir vencer os problemas sociais e económicos que enfrentamos com os melhores. A classe política portuguesa já demonstrou estar minada com uma mediocridade partidária onde os deputados do poder apoiam tudo o que o governo faz e os deputados da oposição são contra tudo o que o governo propõe… e sempre sem um critério objectivo, sem se perceber o que são efectivamente as boas e as más propostas. Isto são comportamentos que só se interpretam percebendo que o que se passa na Assembleia da República não é um serviço ao país, mas sim um debate e um jogo pelo poder. Estamos imersos numa ditadura partidária, disfarçada de democracia, e onde a política e os centros de decisão são controlados por partidos que por sua vez estão infiltrados por pessoas de competência duvidosa, dos chamados profissionais da política, que nunca são chamados a responder pelos seus actos ao país e às pessoas que os mandataram. É isto que é imperativo mudar em Portugal. É claro que uma mudança desta magnitude exige uma credibilidade na política, que ela actualmente não tem, para que possa atrair os melhores e os que têm espírito de missão. Precisamos de uma democracia conjugada com uma meritocracia. É por isso que apelo a Vossa Excelência que, no estado de emergência em que Portugal se encontra actualmente, tenha a autoridade, lucidez e sentido de estado essenciais à principal figura da nação para chamar a si as pessoas de relevo nacional com autoridade e competência para traçar um plano político que nos leve a um caminho de prosperidade. Precisamos de uma política sóbria e que não seja extremista nem na austeridade nem nos gastos do erário público. Precisamos de uma política a que eu chamaria de "política pela positiva" onde cada lei e cada medida governamental tenha as pessoas e a sociedade como referência. Não se pode pedir um sacrifício ao povo sem que este seja informado de forma clara sobre a razão e o objectivo que se pretende alcançar com esse sacrifício. Da mesma forma, não se pode dar um incentivo e apoiar uma determinada classe na sociedade, seja a banca, os carpinteiros, as grandes empresas, os professores, …, sem existir uma explicação clara sobre a razão desse apoio e em que medida é que isso leva a um benefício global da sociedade. Só assim poderemos tornar a política transparente e levá-la novamente às pessoas. Convidar a sociedade a participar no debate político e ter um Estado aberto às orientações e sugestões do seu povo é um golpe incalculável no acesso à corrupção, aos lobbies e ao abuso de poder que tanto prejudicaram Portugal ao longo de décadas e que nos deixam hoje na cauda da Europa apesar de todos os dias conhecermos novos casos de portugueses capazes de enormes feitos em todas as áreas, das ciências às artes, do desporto à economia.

 

Sendo esta uma carta aberta, queria também dar uma palavra a todos os portugueses. Não virem as costas à política, pois é a política que todos temos que usar como instrumento de acção para definirmos e conseguirmos os nossos objectivos. Só se valorizarmos a política podemos aliar a competência e genialidade de muitos portugueses com o espírito de serviço que precisamos nos nossos líderes. É a nossa casa que temos que arrumar e essa tarefa cabe a cada um de nós. Virem-se sim contra a incompetência e a promiscuidade da política. Isso é que não pode passar em claro e desafio aqui todos os portugueses a protestarem sem fim, caso as soluções que saírem desta crise política não forem ao encontro das nossas necessidades.

 

Sua Excelência, Presidente da República de Portugal, a classe política portuguesa bateu esta semana no fundo, ultrapassando o impensável para todos os portugueses. Está nas suas mãos dar inicio a esta mudança de mentalidades, de pessoas e de definição do que queremos que Portugal seja no mundo. Eu e certamente todos os portugueses estamos cá… estaremos cá e não vergamos facilmente às dificuldades. Mas basta de incompetência, basta de abusos de poder, basta de uma justiça de interesses, basta…

 

Com os melhores cumprimentos e votos sinceros de sucesso nas decisões que se avizinham,

 

Doutor Luís Oliveira

 

Português, 31 anos. Licenciado e Doutorado em Bioquímica pela Universidade de Lisboa. Residente na Alemanha.


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Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Frases do Facebook - Politica é como tv sem controle remoto, se não te levantas para mudar, és obrigado a ver o que não queres

Poltica

 

Politica é como tv sem controle remoto, se não te levantas para mudar, és obrigado a ver o que não queres

 

Leandro D'Ippolito - São Paulo


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Sexta-feira, 5 de Junho de 2015

Frases do Facebook - não convém investir muito na educação.. senão eles crescem e aprendem a pensar

Educação

 

não convém investir muito na educação.. senão eles crescem e aprendem a pensar


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