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Pontos de Vista

Porque tudo na vida tem um ponto de vista

Pontos de Vista

Porque tudo na vida tem um ponto de vista

28
Nov15

Ricardo Araújo Pereira - Assassinos sanguinários que se melindram facilmente

olhar para o mundo

 

 

Quando o ayatollah Khomeini ordenou que Salman Rushdie fosse assassinado por ter escrito um livro, a ordem foi recebida com alguma compreensão. O escritor John Le Carré disse: "Não creio que possamos ser impertinentes em relação às grandes religiões impunemente." O arcebispo da Cantuária acrescentou: "Compreendo bem a reacção dos devotos muçulmanos, feridos naquilo que consideram mais sagrado, e pelo qual estariam dispostos a morrer." Quando Theo van Gogh foi assassinado por ter realizado um filme, aconteceu mais ou menos o mesmo. Um jornalista inglês, por exemplo, escreveu que o realizador tinha "abusado do seu direito à liberdade de expressão". Quando a violência deflagrou em vários sítios do mundo e cerca de 200 pessoas perderam a vida porque um jornal dinamarquês publicou uns desenhos, houve mais reacções parecidas. O Vaticano emitiu um comunicado que dizia: "O direito à liberdade de expressão (...) não pode implicar o direito a ofender o sentimento religioso dos crentes." O governo inglês considerou que a publicação dos desenhos foi "desnecessária", "insensível", "desrespeitadora" e "errada". O ministro português Freitas do Amaral afirmou que os desenhos ofendiam "as crenças ou sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos" e acrescentou que a liberdade de expressão devia respeitar a liberdade de religião, concluindo: "liberdade sem limites não é liberdade, é licenciosidade". Quando vários cartunistas do Charlie Hebdo foram abatidos a tiro por terem desenhado uns bonecos, a culpa das vítimas voltou a ser referida. O Papa Francisco disse: "Não se pode provocar. Não se pode insultar a fé dos outros. Não se pode fazer troça da fé dos outros." Tony Barber, do Financial Times, escreveu: "seria útil que houvesse algum bom senso em publicações como o Charlie Hebdo (...) que reclamam estar a infligir um golpe pela liberdade quando provocam muçulmanos, mas estão apenas a ser estúpidos."

 

Esta semana, depois de mais de uma centena de pessoas ter sido assassinada por estar a ouvir música, a jantar num restaurante ou a ver um jogo de futebol, ainda ninguém veio chamar a atenção para o modo como o comportamento das vítimas ofendeu os fundamentalistas islâmicos. Permitam-me que seja o primeiro. A mesma sensibilidade com que algumas pessoas foram, ao longo do tempo, condenando certas provocações inaceitáveis aos assassinos, sempre tão susceptíveis, devia agora servir-lhes para detectar e repreender mais esta ofensa. Aquilo que as vítimas da passada sexta-feira estavam a fazer era tão afrontoso para os assassinos como escrever um livro, realizar um filme ou fazer um desenho: estavam a viver em liberdade. O comunicado no qual o estado islâmico reivindicou o atentado dizia que Paris tinha sido escolhida por ser "a capital do vício", que o Bataclan era um alvo por ser o sítio onde estavam reunidos "centenas de pagãos", que os terroristas tinham aberto fogo sobre "um ajuntamento de incréus" e que os ataques continuarão "enquanto continuarem a ofender o nosso profeta".

 

Felizmente, eu vivo num mundo em que temos a liberdade de nos ofendermos uns aos outros. Essa liberdade é fundamental, uma vez que as pessoas se ofendem com muitas coisas diferentes. Os bárbaros, por exemplo, ofendem-se primeiro com um livro, depois com um filme, depois com um desenho. E depois acabam por ofender-se com o facto de respirarmos. Talvez John Le Carré, Freitas do Amaral e o Papa considerem que devemos passar a respirar com mais respeito. Eu acho que isso é tão absurdo como escrever, filmar ou desenhar com o cuidado de não ferir a sensibilidade de assassinos.

 

Ricardo Araújo Pereira na Visão

27
Nov15

Zeca Afonso no Facebook - o que é preciso é criar desassossego

olhar para o mundo

Desassossego

 

"Mas o que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! E, quando isso acontecer comigo, eu até agradeço que os meus amigos me chamem à atenção e me critiquem.


Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherzinhas’. Temos é que ser gente, pá!“ 

 

José Afonso

27
Nov15

José Luís Nunes Martins - O Medo do Fim

olhar para o mundo

 

O Medo do Fim

Alguns pensam que a felicidade é a ausência de sofrimento... mas, na verdade, está errada essa ideia. A felicidade e o sofrimento são ambos pilares fundamentais da existência. Sem sofrimento a nossa humanidade não seria provada e os nossos dias não teriam valor. Assim também a felicidade, sendo a alegria mais profunda, é o que dá sentido a todas as noites... não são realidades que se possam medir, mas não deixam de ser algo tão concreto como as nossas duas mãos, que sempre trabalham em conjunto, sabendo cada uma o seu papel e o seu valor.

Evitar a dor não nos torna mais fortes.

Tememos as perdas. Tememos a morte. Talvez porque o nada é um abismo que assusta todos quantos têm uma vida com valor. Porque somos impelidos a defender o significado do que erguemos aqui. Não se quer aceitar que tudo quanto se construiu, durante uma vida, seja suprimido sem deixar rasto. Quantas vezes não é o momento do fim que se teme, mas antes o que se pode fazer até lá?  

Caminhar rumo ao desconhecido é uma prova de coragem e de fé diante das evidências deste mundo. Os olhos não querem ver nem as pernas caminhar, mas o caminho faz-se pela ousadia de acreditar e esperar ainda mais, ainda melhor.

Também há quem tema o fim por não saber lidar com momentos de balanço sérios às suas decisões e gestos, à forma como conduz a sua vida, àquilo que, afinal, escolheu ser... apesar de tudo. Nestas alturas de julgar as obras, neste tempo de verdade, há edificações interiores que se revelam... fragilidades e podridões que se manifestam, e que tememos que sejam... determinantes.

Há quem julgue que a profundidade da vida é coisa de histórias infantis... e oriente a sua existência rumo à superficialidade do ter: ao dinheiro, poder, títulos, casas, carros, festas, prazeres imediatos... Anulam-se. Desprezam-se, desprezando os outros, ignoram a possibilidade concreta de serem felizes, lá desde o fundo do seu bom coração de criança.

No final, o que importa mesmo é que tenhamos tido a força de fazer chegar aos outros o sorriso único que cada um traz no fundo de si... A essência. A alma. O amor. Quem não se ensinou a si próprio a viver assim, não estará preparado para viver depois do fim...

Só podemos compreender a plenitude da nossa identidade num horizonte de eternidade, na esperança da existência de um céu muito concreto. Um céu de que este mundo faz parte. Um céu que está próximo. Que se pode tocar aqui mesmo. Que se revela em cada gesto de sofrimento... e de amor.

Há que viver a certeza da esperança de que por detrás do que vemos não existe um nada, mas algo de muito bom. Não há esperança firme na vida enquanto não se a estender ao que está para além do que podemos conhecer aqui. Se nos reduzimos ao que somos nesta vida, então não somos nada. Esta vida é demasiado breve e limitada. Talvez a terra só exista para manifestar o céu.

O mistério da vida revela-se a cada momento. A eternidade está toda aqui e agora. Morremos a cada dia, mas também amamos e, por isso, todos os dias criamos algo de novo que não morrerá nunca.

O amor é a prova absoluta da eternidade. Não pode ser destruído, muito menos num instante só. Quem ama, sabe que vive... para sempre.

José Luís Nunes Martins, in 'Amor, Silêncios e Tempestades'

 
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