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Pontos de Vista

Porque tudo na vida tem um ponto de vista

Pontos de Vista

Porque tudo na vida tem um ponto de vista

29
Mar16

Eduardo Sá - É fácil estragar um filho

olhar para o mundo

Eduardo Sá

 

Não é verdade que as crianças deviam vir equipadas com manual de instruções. Mas também não acredito que, apesar desse desabafo ter virado moda, os pais – os bons pais, claro – ganhassem o que quer que fosse se isso se desse assim. E se as crianças viessem equipadas com manual de instruções? Os pais adormeciam para o “equipamento de base” indispensável de que dispõem para serem bons pais: o sexto sentido (que é uma espécie de instinto de adivinhar, que os habilita para ler as meias-palavras, as entrelinhas e os silêncios dos filhos), o bom senso (que os leva, antes de esgotarem as suas quotas de parvoíce, a chegar “num pulo” ao sentido de justiça) e o coração grande (e a cabeça quente) com que se vai da ternura, ao carinho e à bondade.

 

Os pais não precisam, portanto, de um manual de instruções para serem bons pais! Por mais que menos irmãos, menos sobrinhos e menos afilhados, no seu crescimento, representem menos oportunidades para apanharem o jeito de ler e de legendar as manhas, as manias e o jeito de amar (imenso mas desengonçado) de todas as crianças. E não precisam dele mesmo que menos crianças a nascer não pressuponha mais oportunidades para serem melhores pais. Os pais precisam, isso sim, de se aventurar pelas suas experiências de filhos e de ser tagarelas, todos os dias, com essas memórias, de mansinho. Mesmo que, amassados por elas, às vezes o coração se feche e dê um nó e desse modo eles descubram que há pessoas que até quando choram são bonitas.

 

Os pais não precisam de um manual de instruções para serem bons pais! E, muito menos, de serem – pai e mãe – concertados nas opiniões que têm acerca dos comportamentos e dos trejeitos das crianças. É, portanto, mentira que os bons pais para serem irrepreensíveis como pais, estejam proibidos de discordar ou de discutir. E, muito menos (por mais ternurenta que seja a convicção profunda com que o afirmam) que jamais se possam desautorizar um à frente do outro – e ambos “nas barbas” duma criança – como se ela, sempre que sente o olhar dos dois em rota de colisão, não descortinasse nas suas testas “luzinhas” de cores contraditórias a acender e a apagar. Sempre que os pais se juntam num só erro cada um é para o outro o manual de instruções que lhe faz falta!

 

Os pais não precisam de um manual de instruções para serem bons pais! Porque isso talvez os leve a querer serem exemplares. Ou irrepreensíveis. Ou bem comportados. Ou aprumados. Ou atilados, até... Sempre que exigem ser mais ou menos perfeitos falta-lhes, isso sim, um bocadinho de alma e de insolência no coração para que, em cada uma das suas hesitações, encontrem o fio da meada dum novo manual de instruções. É bom, por isso, que (no meio duma birra de pais) eles “fervam em pouca água!”. Ou que tenham o coração ao pé da boca. Ou, sempre que se enfurecem, digam o que querem e o que não querem. As crianças não tiram os pais do sério: devolvem-nos ao sério! Afinal, sempre que erram muitas vezes, as crianças não deixam que os pais fiquem sempre presos ao mesmo erro!

 

Os pais não precisam de um manual de instruções para serem bons pais! Porque isso talvez os levasse a ignorar que, depois das crianças, os melhores manuais de instruções de que dispõem são a sua própria infância e os pais que eles tiveram. Mas serão os pais... bons filhos? Não no sentido de dizerem sim a todos os caprichos dos seus pais, a nunca os contrariarem ou a serem uma espécie de seus “oficiais às suas ordens”, mas de lhes darem colo e carinho, de falarem por eles (mesmo quando se trata de se aventurarem pelos seus silêncios), ou de exigirem ser escutados (em vez de se ficarem por mais um: “ele não vai entender”)? Serão os pais bons filhos, quando se trata se reconhecerem nos seus próprios pais a sabedoria que faz com que eles sejam, para sempre, a sua “entidade reguladora”, e não vacilando, sequer, mal eles ameaçam desistir, os proíbem de começar a morrer? Será a maioria dos pais bons filhos? Não! E será que podemos ser bons pais e maus filhos, ao mesmo tempo? Também não! Sendo assim, há um manual de instruções escondido na maneira com que os pais se resgatam para que sejam, hoje, pelos seus seus gestos, os filhos que desejaram toda a vida vir a ser: para serem bons pais, não precisam de manuais; basta que se sejam bons filhos!

 

Em resumo, é fácil estragar um filho: eduque-o com um manual de instruções! Daqueles que acham que a escola é mais importante que a família, que brincar vale menos que aprender, e que as histórias, ao pé dos algarismos estão sempre a mais. Ou daqueles que se alarmam sempre que as crianças “falam pelos cotovelos” ou fazem tudo para não perderem a “língua de perguntador”. Ou de outros, ainda, que recomendam que as crianças só devem ser repreendidas sempre que aceitam ser contrariadas. É fácil estragar um filho. A fórmula para isso será mais ou menos assim: quanto mais manuais, piores pais!

 

Mas se os quiser ignorar, não perca de vista que os pais não precisam de um manual de instruções! Porque isso pressupõe que por trás duma criança há sempre uma dor de cabeça, e que eles, para que sejam especiais, terão de ser pais-aspirina. É, portanto, indispensável que os pais errem! Muitas vezes! E que, de problema em problema, casem errar com aprender.

 

Assim, talvez os pais nunca percam de vista que os melhores manuais sobre as crianças são os erros. Dos pais!

 

Eduardo Sá

 

Retirado de Pais e Filhos

14
Mar16

Mundos de Vida - Nós podemos

olhar para o mundo

Mundos de vida nós podemos

 

 

 

NÓS PODEMOS!

O que não podemos é ficar indiferentes perante as desculpas que são dadas, há 22 anos, pelos organismos nacionais, para justificar a realidade em que vivem milhares de “crianças invisíveis”, em Portugal. 


Na realidade, 8.142 crianças, no nosso país, vivem em instituições, representando mais de 95% das crianças separadas dos seus pais.

Com um povo tão solidário como o português, nós podemos fazer tão bem ou melhor do que os outros países europeus, onde a solução para essas crianças é maioritariamente o acolhimento familiar, enquanto não podem regressar aos seus pais ou ser adotadas.

A situação destas milhares de crianças, de quem quase ninguém fala, mancha a imagem de Portugal. 

A própria Comissão Europeia fez uma recomendação, onde pede a Portugal para diminuir a institucionalização de crianças e promover o acolhimento familiar.

RECOMENDAÇÃO DA COMISSÃO EUROPEIA A PORTUGAL
(Publicada no Jornal Oficial das Comunidades)
em 20 de fevereiro de 2013

DIZ O SEGUINTE:

“Fazer com que a pobreza NUNCA SEJA a única justificação para subtrair uma criança à sua família; procurar fazer com que as crianças possam permanecer junto dos pais, ou regressar para junto deles, ao suprir, por exemplo, as carências materiais da família"; 

"Prever filtros adequados com o objetivo de EVITAR CONFIAR crianças a instituições e prever o reexame regular dos casos de institucionalização"; 

"PÔR TERMO à multiplicação das instituições destinadas a crianças privadas de cuidados parentais, privilegiando soluções de qualidade no âmbito de estruturas de proximidade e junto de famílias de acolhimento, tendo em conta a voz das crianças".

Faça parte da causa: “Uma criança tem direito a crescer numa família”, ajudando a MUNDOS DE VIDA a continuar a alargar o seu programa de acolhimento familiar PROCURAM-SE ABRAÇOS”. 


Este ano, estamos a trabalhar em 11 concelhos dos distritos de Braga e do Porto mas queremos chegar mais longe.


Ate hoje, já acolhemos mais de 90 crianças em famílias de acolhimento de qualidade (que gostam de educar crianças, positivas, com sentido de humor, estáveis e que sabem respeitar a história da criança, olhando para o futuro). Precisamos de mais.

Passo a passo, família a família, criança a criança, abraço a abraço, vamos, com a sua ajuda (falando e agindo por esta causa), mudar a realidade e fazer a diferença na vida das crianças do nosso país.

www.mundosdevida.pt 

15
Jan16

João Labrincha - Se for pelas crianças, pode ser. Pelos homossexuais, valha-nos deus, nem pensar

olhar para o mundo

Texto de João Labrincha

 

Se for pelas crianças, pode ser. Pelos homossexuais, valha-nos deus, nem pensar

 

Eu sou intolerante com a intolerância: é tempo de apontar os dedos a quem atenta contra o direito constitucional (e humano) da igualdade.

 

A filósofa Hannah Arendt explica que, quando as elites pensantes (e nestas incluo os nossos deputados - mas não todos) têm atitudes autoritárias ou discriminatórias, logo os fascistazinhos de esquina se sentem legitimados a sair da toca. Envergam a espada ideológica de uma suposta cruzada em nome da sociedade que, dizem, desmoronará caso o superior interesse da criança seja maculado pela proximidade de alguém com uma orientação não-heterossexual. Agem segundo o que acreditam ser o seu dever, cumprindo ordens superiores (divinas, em algumas das suas alucinações pseudo-religiosas), movidos pelo desejo de ascender na carreira profissional-política, como o jota Hugo Soares ou, simplesmente, por desejarem notoriedade na comunicação social ou no seu bairro. A isto chama-lhe banalização do mal.

 

Educação moralista, machista e católica

Acredito que algumas pessoas o façam pela educação moralista, machista e católica que tiveram. Mas também é essa educação o motivo que leva alguns homens a espancar as esposas e namoradas porque se atreveram a colocar um pé fora de casa ou porque trocaram um olhar com outra pessoa. Devemos desculpabiliza-los? Nunca! Eu sou intolerante com a intolerância: é tempo de apontar os dedos a quem atenta contra o direito constitucional (e humano) da igualdade. Porque a teoria de que se é mais democrático por aceitar atos e ditos anti-democráticos ou fascistas é isso mesmo: fascista.

 

Por isso, quando vejo argumentações como a de que a possibilidade de coadoção em famílias homoafetivas não serve exclusivamente para defender as crianças mas que tem o “pecado” de reconhecer direitos a homossexuais, como se tal fosse uma coisa negativa, não posso deixar de me indignar. Sim, serviria para proteger as crianças e, sim, serviria para colocar os homossexuais portugueses ao lado de todos os outros na Europa Ocidental e noutros países democráticos do Mundo. Em pé de igualdade com as outras pessoas, independentemente da sua orientação sexual.

 

Pugnar pelos Direitos Humanos, de adultos ou de crianças, não deveria ser um problema. Deveria ser um orgulho e um ato diário, com as nossas famílias, nas escolas ou locais de trabalho.

 

Desta vez não passou a legislação que permitia o reconhecimento da dignidade de famílias que já existem de facto, por muito poucos votos no Parlamento. E assim permanecemos ao lado de países como a Rússia, o Uganda e a China ao não permitir que, por exemplo, os filhos herdem bens, ou que pais e mães de toda uma vida não possam assumir as responsabilidades parentais em caso de morte do outro cônjuge. O que continuará a acontecer é, portanto, a possibilidade de crianças que já têm uma família poderem, de um momento para o outro, perde-la e serem entregues a familiares longínquos ou até a instituições sociais. E, nos adultos, a manutenção de uma discriminação legal que insulta, descredibiliza e acusa pessoas de não terem dignidade para serem responsáveis por cuidar de crianças – de que sempre cuidaram - apenas porque têm uma orientação não-heterossexual. Prejudicar seres humanos, sejam crianças ou adultos, com base numa suposta superioridade moral imaculada dos heterossexuais é, para mim, extremamente desumano.

 

Texto de João Labrincha 

retirado do P3

12
Jan16

Removed - A história de uma adopção

olhar para o mundo

 

 

We made ReMoved with the desire that it would be used to serve in bringing awareness, encourage, and be useful in foster parent training, and raising up foster parents. .
If you would like to use the film for any of these reasons, the answer is yes.
If you need a downloadable version, you can download it here:
vimeo.com/ondemand/removed

Originally created for the 168 Film Festival, ReMoved follows the emotional story through the eyes of a young girl taken from her home and placed into foster care.

After winning Best Film and Audience Choice at the 168 Film Festival, as well as winning Best Film at the Enfoque Film Festival and being an official selection at the Santa Barbara Independent Film Festival, we're extremely excited to share ReMoved online.

"It would be impossible to fully understand the life and emotions of a child going through the foster care system, but this short narrative film portrays that saga in a poetic light, with brushes of fear, anger, sadness, and a tiny bit of hope." -Santa Barbara Independent

This short film wouldn't be possible without the help of some of my incredible friends.
First, my wife, who schemed this project up with me, and was willing to do me the huge favor of writing and producing it. Without her partnership, this would not have happened, and definitely would not have been such a fun process. We were inspired to create this film while in foster parent training.

And then of course Tony Cruz. I asked him early on if he'd be willing to tackle this with me. I wasn't sure if I was really going to pursue it unless he said yes. He graciously agreed and was, to me, a huge source of confidence in knowing this project would turn out well. He and i discussed everything during the pre-production, and i counted on his creative mind to keep me on the right path. He even persuaded another key creative on the project, Greg Pickard, to join us. On Set Tony was my right hand man. On set, if I just wasn't feeling it, I had the trust in him to be able to just hand the scene off to him and know he would make it work. And he stepped in plenty of times when i just needed a break, or a separate perspective. Some of the best moments in the film are of his doing. Go check him out at tonycruz.co

We were very fortunate with Abby White, the young actress. Without her we wouldn't have a film. 

Her parents were so amazing as well. I don't think they anticipated how much involvement it would take on their end, but they stuck with it the whole way. Abby's dad, Andy White from Good Times Guitar, even recorded Abby's Voice Over for us in his studio.

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