Segunda-feira, 27 de Março de 2017

Erick Morais - Triste destino é o homem morrer conhecido de todos, mas desconhecido a si mesmo

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Por que a solidão assusta tanto as pessoas? Será que o encontro consigo mesmo é tão assustador? Pascal já dizia que os homens sentem enorme dificuldade em olhar-se no espelho sem máscaras, pois o encontro entre o eu e o mim sempre é doloroso. Em outras palavras, o autoconhecimento, tão importante para o crescimento emocional, depende de uma dose de solidão. No entanto, na sociedade contemporânea a solidão parece não agradar muito as pessoas.

 
Vivemos o tempo inteiro em multidões, sejam elas reais ou virtuais, de modo que evitamos ao máximo estar sozinhos. É como se quiséssemos evitar o encontro com aquilo que de alguma forma nos fará olhar a ordem estabelecida de outra forma e, por consequência, se afastar da manada. É sempre mais fácil seguir a manada, se adequar ao protocolo social, do que ser um inadequado que se guia pelo seu próprio querer.
 

Sendo assim, procuramos andar aglomerados, fazendo as mesmas coisas, comportando-se da mesma maneira, ainda que não haja uma vontade imanente de fazer tais coisas ou agir de determinada forma. Não nos damos conta que somos apenas reprodutores da vontade de terceiros que não tem nada a ver conosco.

Essa adequação acontece em grande parte pelo medo da solidão. Obviamente, somos seres sociais, como atentou Aristóteles. Logo, precisamos conviver com outras pessoas, ter boas relações, o que, aliás, é muito bom para o indivíduo. Todavia, também é necessário que o indivíduo tenha tempo para si, em solidão, a fim de que possa avaliar a sua vida, tomar decisões sem pressões alheias, rever seus atos, reaver seus relacionamentos, etc. Esse processo faz com que o indivíduo possa se conhecer melhor (autoconhecimento) e conhecendo-se melhor, perceberá o que de fato o faz feliz.

Se fugirmos o tempo inteiro da solidão, nunca nos conheceremos verdadeiramente e, assim, nossa vida não terá identidade própria, mas antes, seguirá os ditames de outras vidas. Quantas vezes estamos imersos o tempo inteiro em relações e nos comportamos de determinada forma, e quando nos afastamos percebemos que aquelas pessoas e aquele comportamento não se coadunavam com o que somos?

Ficar um sábado em casa, assistindo a um filme ou lendo um livro, ao invés de sair com os amigos pode ser uma ótima experiência, em que na tranquilidade do silêncio das vozes alheias, podemos perceber coisas que passam despercebidas no dia a dia, em que estamos envoltos por um sem número de pessoas (sejam reais ou virtuais). E, assim, descobrimos muito sobre nós mesmos e, sobretudo, sobre o que não somos.

Esse processo de autoconhecimento não é fácil, uma vez que ao descobrirmos mais sobre nós mesmos, poderemos deixar de achar muitas coisas, as quais fazíamos, interessante, incluindo pessoas. Por isso, de forma genérica, as pessoas buscam passar a maior parte do tempo “conectadas”, como se a solidão não possuísse qualquer utilidade.

O que buscamos, na verdade, é fugir das dores que o autoconhecimento promove, já que sabendo o que se é e buscando-se o que se quer, há grande chance de sermos vistos como loucos e de deixarmos de ser uma peça interessante para o grupo. Afinal, em um mundo que vive sob ditaduras, como a da felicidade, todos agem do mesmo modo, fazem as mesmas coisas, são bem sucedidas e estão sempre felizes, não é interessante ter alguém que viva do jeito que lhe apraz, que pense por si só e não siga as regras do jogo.

A vida em sociedade é necessária e extremamente importante, desde que cada um possa ser o que de fato é. Somente, assim, criam-se relações de verdade, com raízes e sinceridade e não troca de conveniências, em que se busca tão somente a fuga do medo de estar só. A verdadeira felicidade está em buscar o que realmente faz o coração terno. Portanto, às vezes, a solidão é importante para que possamos saber o que faz o coração terno, e não apenas reproduzir o que o protocolo social diz ser o caminho da felicidade.
Em hipótese alguma a solidão deve ser adotada como morada. Mas, visitá-la de vez em quando é tão importante quanto se relacionar com alguém, pois precisamos saber o que somos para que possamos dar o que há de mais puro e verdadeiro em nós. Antes de vivermos uma relação, é preciso saber o que somos, e isso só aprendemos na companhia da solidão. Pois, como dizia Francis Bacon:

“Triste destino é o homem morrer conhecido de todos, mas desconhecido a si mesmo.”

 

Erick Morais
 

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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017

Erick Morais - O maior afrodisíaco de uma relação é uma alma escancarada

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O maior afrodisíaco de uma relação é uma alma escancarada

O maior afrodisíaco que pode existir em uma relação é uma alma escancarada. Não há nada mais belo, mais sedutor, mais atraente do que alguém completamente despido em suas miudezas, aberto em sua loucura, completamente vulnerável, ansiando para ser tocado, fisgado por um abraço, preso em um olhar.

Todo relacionamento profundo depende da abertura das pessoas presentes na relação. Dessa maneira, é necessário que as almas estejam escancaradas, a fim de que haja profundidade para o mergulho. Caso contrário, a relação será superficial e, por conseguinte, incompleta.

Acho que nós, mais do que ninguém, sabemos disso, afinal, em quantos relacionamentos nos sentimos completamente despidos, sem joguinhos, arrodeios e medo?

Eu sei que é bem verdade que quando nos colocamos de maneira totalmente desarmada em frente a alguém, há o grande risco de nos machucarmos ou de não sermos correspondidos. No entanto, procurando o prazer sempre há o risco de tropeçarmos na dor. Sendo assim, é preciso que estejamos dispostos a nos arriscar, já que não se envolver profundamente com alguém por medo, como diria Sean, personagem de Robin Williams, no filme Gênio Indomável, é apenas uma superfilosofia que garante que você nunca irá conhecer ninguém de verdade.

Somente almas escancaradas são capazes de mergulhar na loucura, não a psiquiátrica, mas a que permite que todos os pecadinhos, os segredos, as esquisitices, as coisas bobas sejam reveladas. Ou seja, a loucura que permite a eclosão do próprio sujeito, o qual se transforma a partir do mergulho nas profundezas de outro ser. Um mergulho na essência do humano, da intimidade e, portanto, bálsamo do divino.

 

Desse modo, quando há a libertação dos medos e nos entregamos, com a alma completamente nua, acontece o encontro que alegra, lembrando Spinoza. Nesse espaço colocado entre duas pessoas enlaçadas sem nenhum subterfúgio, acontece o gozo, o prazer, o delírio, a perda da própria consciência, a imersão em uma órbita superior, em que não há limites para o voo, pois todas as limitações terrenas se esvaem na medida em que sentimos a manifestação do divino.

Acontecem os refluxos da alegria, o aumento da potência de ser e, acima de tudo, sentimos por instantes que somos capazes de criar um escudo contra a morte, porque criamos memórias compartilhadas e estas são eternas, porque existem no espaço secreto onde as almas se beijam e o tempo não passa.

A conversa, o toque, podem até existir em qualquer relação, todavia, é apenas quando sentimos que temos a nossa frente uma alma escancarada que conseguimos interpretar cada palavra e perceber a sua poesia, inclusive, a do olhar, que mesmo em silêncio, é capaz de fazer as denúncias mais subterrâneas, como se houvesse um canal ligado diretamente à alma, uma janela aberta sem nenhum tipo de cortina.

Sendo assim, o maior afrodisíaco que pode existir é uma alma escancarada, entregue e vulnerável, capaz de sentir cada dedo penetrando, acariciando e envolvendo cada célula do corpo, pois o maior prazer que existe em uma relação é perceber que em meio a tanta superficialidade, há um lugar no mundo onde podemos encontrar luz e calor para descansar nosso corpo e acordar nossa alma.

 

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Segunda-feira, 28 de Março de 2016

Erick Morais - Mulheres, Que Me Perdoem As Equilibradas, Mas Eu Prefiro As “Loucas”

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Mulheres, Que Me Perdoem As Equilibradas, Mas Eu Prefiro As “Loucas”

Esse negócio de mulher racional, do tipo que marca hora para dizer eu te amo, que escolhe milimetricamente cada palavra, é para homem frouxo, que tem medo de ser amado. Que me perdoem as equilibradas, mas eu prefiro as “loucas”.

Mulher boa é mulher que grita, chora e diz que ama. Aquele tipo de mulher que não perde a oportunidade de fazer um drama. Mas não qualquer um. Um drama daqueles que te prende do começo ao fim, sem direito a intervalos comerciais.

Mulher boa é mulher que pega no pé, que reclama da toalha em cima da cama. Aquele tipo de mulher que não tem medo da reação do outro. Não tem medo de ser cobrada. Ela ama e, portanto, quer se esforçar, quer chamar atenção, quer que você seja mais do que tem sido, mais do que demonstra, mais do que flores sem cartão.

Mulher boa é mulher que pega a gente no colo, que saboreia cada gesto de amor até lamber os dedos. Aquele tipo de mulher que faz questão de mostrar que é louca por você, que abraça sem medo de se perder, que se joga de cabeça, que reclama da ausência, que declara seu amor nas madrugadas.

Mulher boa é mulher geniosa, que ama, mas faz questão de mostrar que é dona do seu nariz. Aquele tipo de mulher que não vive sem seu chocolate preferido, que faz questão de desafiar, que bate e afaga ao mesmo tempo, que não se preocupa com críticas, que diz que te odeia, mas não vive sem você.

 

Mulher boa é mulher que nos tira do sério. Aquele tipo de mulher que faz perder o sono, que faz queimar neurônios, que intriga, que instiga, que sorri para acalmar as tempestades do coração.

Mulher boa é mulher temperamental, que não permite abafar o que sente. Aquele tipo de mulher que canta de um jeito irritante, que conta piadas sem graça, que fala sem parar, que deixa qualquer um loucamente apaixonado, porque nada é pior para um homem do que o silêncio de uma mulher.

Mulher boa é mulher indecisa, que não sabe que vestido usar. Aquele tipo de mulher que se atrasa, que come biscoito com café, que mistura brigadeiro com beijinho. É forte e frágil. Sabe conjugar risos e soluços como ninguém. Daquelas que fazem da sabedoria masculina uma simples aprendiz. Que em meio a toda confusão, só tem a certeza que nos ama.

Mulher boa é mulher passional, do tipo que explode, que não fica de braços cruzados, que vai lá e fala o que sente, de forma espontânea. Aquele tipo de mulher que não se esconde do perigo, que arrisca, que nos bota na parede e diz umas verdades. Daquelas que não se entregam pela metade, ou leva o fruto e tem o trabalho de tirar as sementes ou deixa no pé.

Mulher boa é mulher que usa batom vermelho. Aquele tipo de mulher que te faz trocar as palavras, que te faz mudar de caminho, que faz ler Shakespeare. Daquelas que te faz chorar com filmes de romance. Que te faz mais sensível, que te livra da obrigação de ser “machão” o tempo todo. Que impõe os seus caprichos, mas se dobra quando recebe flores.

 

Mulher boa é mulher louca. Louca por nós. Aquele tipo de mulher que assume que ama, que faz questão de gritar pelos quatro cantos esse amor. Daquelas que sentimos o cheiro com o vento, que nos faz comprar algodão doce na rua, que faz rir. Que, quando chora, nos faz reféns sem direito a fuga.

Mulher boa é mulher que a gente se entrega. Aquele tipo de mulher que precisaríamos de outra vida para demonstrar o quanto sua presença faz da vida um lugar mais divertido. Daquelas que choram? Sim. Daquelas que gritam? Sim. Daquelas que sentem, que nos desarmam e que nos faz querer ter um amor para se prender.

Se as mulheres mais equilibradas ou, talvez, umas que me achem machista, discordam do texto, por favor, me perdoem. São apenas devaneios tolos, escritos em um chão de giz, com marcas de um coração que quer ouvir mais eu te amos, sem medo de se prender ou se decepcionar. Todavia, ainda assim, posso estar errado e se estiver, mais uma vez, me perdoem, mas eu prefiro as loucas.

A mulher que quero – Pio Vargas

Eu quero uma mulher de aço
que seja leve como a pena,
cujo sorriso seja um laço
a me prender como um poema.
Eu quero uma mulher madura
a me guiar durante o dia,
quando for noite ser vadia
a me domar sem armadura
e a me tomar como num sonho,
uma mulher que seja a lua
dentro do sol em que me ponho.
Eu quero uma mulher de ferro
com um aplauso pra quando acerto
e um perdão pra quando erro,
como alguém que seja o brilho
dentro do escuro em que me encerro.
Uma mulher que seja plena
uma amante de verdade
que seja motivo de lembrança
e um intervalo na saudade
que, diurna, me cuida,
mas que, noturna me invade.
Eu quero uma mulher-mãe
que seja vinho, cerveja,
refrigerante, champanhe,
que me entenda se viajo
e se fico me acompanhe.
Eu quero uma mulher toda
que me edifique como homem
e algo depois me exploda.

 

Erick Morais

 

Retirado de Portal Raizes


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