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Pontos de Vista

Porque tudo na vida tem um ponto de vista

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23
Set16

José Luís Nunes Martins - A Razão da Minha Esperança

olhar para o mundo

 

 

A Razão da Minha Esperança

 

Meu bom amigo,

Sei que tens sofrido bastante.

Não posso esquecer que um dia me ensinaste: que leal é quem não abandona; que devemos procurar ser pessoas dignas de confiança, mais do que tentar encontrar alguém assim; e, que a vontade de amar já é, em si mesma, amor.

Permite-me que partilhe contigo, hoje, algumas ideias a respeito dos momentos difíceis...

São muitas as provas que na vida servem para testar quem somos, a força que temos em nós e o nosso valor. Algumas vezes uma pedra gigante vem cair mesmo diante de nós... outras vezes são séries infindáveis de pequenos obstáculos no caminho... longas etapas que nos obrigam a seguir adiante sem descansar, em percursos onde quase nunca se vê o horizonte.


A agitação permanente em que vivemos leva muitos a desistir de encontrar referências mais adiante, mas é preciso que nos afastemos do tempo para assim encontrarmos a posição mais segura, elevando-nos acima dos momentos passageiros para os compreender melhor. No meio da confusão é preciso ver para além do que se pode olhar... estabelecer os alicerces sobre o que é sólido, ainda que seja preciso escavar muito mais fundo do que o normal... confiar sempre que há mais vida para lá desta. Que a nossa existência, tal como a conhecemos, é apenas um pedaço.

Lembra-te que não há tantas verdades quantas pessoas, há uma só verdade... e imensas mentiras, erros e imprecisões. Confia na verdade, ainda que não a possas ver ou compreender.

Não vás onde te levam as emoções. Nem vás para onde vão os outros. Constrói o teu plano com base na verdade que és, constrói-te... e sê feliz. Apesar de tudo.

Não penses nunca que, por te escrever estas coisas, saberei mais ou estarei mais adiantado na viagem... não. Sou teu companheiro de caminho e procuro em ti, e através da tua luta, inspiração para a minha. Escrever é algo fácil e vulgar. Importante e determinante é cumprir um projeto de vida, com gestos concretos, sorrindo sempre apesar da vontade de chorar. Chorando, quando assim tem de ser, mas nunca desistindo de acreditar.

Há uma esperança essencial à vida: a fé. Importa cuidar bem desta certeza. O sentido da nossa existência depende dela.

Não desperdices energia a tentar eliminar o sofrimento. Podemos combatê-lo e limitá-lo através da fé, mas o sofrimento faz parte da vida. Fugir dele é escolher não viver. Lembra-te que Deus não está apenas no topo da alegria, está também no fundo da tristeza. Não estás só. Nunca.

Não deixes que o pedregulho diante de ti te impeça de acreditar no horizonte que há para além dele... lembra-te que os obstáculos que encontramos no caminho tantas vezes nos conduzem para alegrias que doutra forma não iríamos abraçar. Não permitas que os longos tempos cheios de pequenos nadas te afastem da certeza da fé no que é pleno, bom e infinito.

Eis a razão da minha esperança: olho para trás e vejo que na vida sempre me foi dado mais do que eu sonhei, que os meus desejos foram pequenos face às maravilhas que se realizaram diante de mim, para mim e em mim... aprendi com tudo isto a esperar pelo melhor, sem saber sequer o que isso significa... Acredito que contigo não será diferente.

O futuro é um reino bem distinto de todos os que podemos imaginar. A única coisa certa é que estamos num caminho que não tem fim.

Não permitas que nada perturbe a tua lealdade ao amor.

Confio em ti e rezo por ti.

José Luís Nunes Martins, in 'Amor, Silêncios e Tempestades'

Retirado de Citador

30
Jun16

Mia Couto - A Esperança é o mais Frágil dos Sentimentos

olhar para o mundo

miaCouto.jpg

A Esperança é o mais Frágil dos Sentimentos

Vivemos em Moçambique anos terríveis de guerra e de desespero. Quando me perguntam como sobrevivemos a esse tempo, as pessoas se apressam a falar da esperança. E dizem: pois é, a esperança é a última a morrer. É isso que se diz. Contudo, não é verdade. A esperança é o mais frágil dos sentimentos, um dos primeiros a desvanecer. Ela morre, porém, no sentido que os africanos têm da morte. Quer dizer, ela morre mas não fica morta. Continua vivendo entre nós, do nosso lado. E vai comandando, secreta e subtilmente, processos e destinos. A esperança não é a última a morrer ainda que possa ser a primeira a matar-nos. E estaremos mortos se aceitarmos conviver, com cinismo, num mundo em que fazemos de conta acreditar.

Mia Couto, in 'Pensatempos'

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