Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Gabriel García Marquez - Conseguir Escrever

 

Conseguir Escrever

O ofício de escritor é talvez o único que se torna mais difícil à medida que mais se pratica. A facilidade com que me sentei a escrever aquele conto não se pode comparar com o trabalho que me dá agora escrever uma página. Quanto ao meu método de trabalho, é bastante coerente com isto que vos estou a dizer. Nunca sei quanto vou poder escrever nem o que vou escrever. Espero que me ocorra alguma coisa e, quando me ocorre uma ideia que ache boa para a escrever, ponho-me a dar-lhe voltas na cabeça e deixo-a ir amadurecendo. Quando a tenho terminada (e às vezes passam muitos anos, como no caso de Cem Anos de Solidão, que passei dezanove anos a pensar), quando a tenho terminada, repito, então sento-me a escrevê-la e é aí que começa a parte mais difícil e a que mais me aborrece. Porque o mais delicioso da história é concebê-la, ir arredondando-a, dando-lhe voltas e mais voltas, de maneira que na altura de nos sentarmos a escrevê-la já não nos interessa muito, ou pelo menos a mim não me interessa muito; a ideia que dá voltas.

Gabriel García Marquez, in 'Eu não Venho Fazer um Discurso'
 
retirado de Citador

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Quarta-feira, 27 de Julho de 2016

Gabriel Garcia Márques no Facebook - Um homem só tem direito a olhar para outro de cima para baixo, quando o vai ajudar a levantar-se

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Um homem só tem direito a olhar para outro de cima para baixo, quando o vai ajudar a levantar-se

 

Un hombre sólo tiene derecho a mirar a otro hacia abajo, cuando há de ayudarle a levantarse

 

Gabriel Garcia Márques

 


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Domingo, 17 de Abril de 2016

Gabriel Garcia Márquez no Facebook - O mais importante que aprendi a fazer depois dos quarenta anos foi a dizer não quando é não.

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O mais importante que aprendi a fazer depois dos quarenta anos foi a dizer não quando é não.

Gabriel Garcia Márquez

 


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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2015

Gabriel García Marquez - Aborrecido de Estudar

Gabriel Garcia Marquez

 

Aborrecido de Estudar

 

Enfastiavam-me as aulas, salvo as de literatura — que aprendia de cor — e tinha nelas um protagonismo único. Aborrecido de estudar, deixava tudo à mercê da boa sorte. Tinha um instinto próprio para pressentir os pontos álgidos de cada matéria e quase adivinhar os que mais interessavam aos professores para não estudar o resto. A realidade é que não entendia por que devia sacrificar engenho e tempo em matérias que não me interessavam e, pela mesma razão, não me iam servir para nada numa vida que não era minha. 

Atrevi-me a pensar que a maioria dos meus professores me classificava mais pela minha maneira de ser do que pelos meus exames. Salvavam-me as minhas respostas imprevistas, as minhãs ideias dementes, as minhas invenções irracionais. No entanto, quando acabei o quinto ano, com sobressaltos académicos que não me sentia capaz de superar, tomei consciência dos meus limites. O bacharelato tinha sido até então um caminho empedrado de milagres, mas avisava-me o coração que no final do quinto me esperava uma muralha intransponível. A verdade sem adornos era que me faltava já a vontade, a vocação, a ordem, o dinheiro e a ortografia para embarcar numa carreira académica. Melhor dizendo: os anos voavam e não fazia a mínima ideia do que ia fazer da minha vida, pois havia de passar ainda muito tempo antes de me aperceber de que mesmo esse estado de derrota era propício, porque não há nada deste mundo nem do outro que não seja útil para um escritor. 

Gabriel García Marquez, in 'Viver para Contá-la'


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Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

Gabriel García Marquez - Controlar a Timidez

 

Controlar a Timidez

Nunca consegui controlar a timidez. Quando tive que enfrentar em carne viva a incumbência que nos deixou o pai errante, aprendi que a timidez é um fantasma invencível. De cada vez que tinha que solicitar um crédito, mesmo dos combinados de antemão em lojas de amigos, demorava horas em redor da casa, reprimindo a vontade de chorar e as contracções da barriga, até que me atrevia por fim, com as mandíbulas tão apertadas que não me saía a voz. Havia sempre algum comerciante sem coração para me atrapalhar ainda mais: «Miúdo parvo, não se pode falar com a boca fechada.» Mais de uma vez regressei a casa com as mãos vazias e uma desculpa inventada por mim. Mas nunca mais tornei a ser tão desgraçado como da primeira vez que quis falar pelo telefone na loja da esquina. O dono ajudou-me com a operadora, pois ainda não existia o serviço automático. Senti o sopro da morte quando me deu o auscultador. Esperava uma voz serviçal e o que ouvi foi o latido de alguém que falava no escuro ao mesmo tempo que eu. Pensei que o meu interlocutor também não me ouvia e levantei a voz tanto quanto pude. O outro, enfurecido, também elevou a sua voz:

- E tu, porque carago me gritas!

Desliguei, aterrado. Devo admitir que, apesar da minha febre de comunicação, tenho ainda que reprimir o pavor do telefone e do avião e não sei se me vem desses dias. Como podia conseguir fazer qualquer coisa? Por sorte, a minha mãe repetia com frequência a resposta: «É preciso sofrer para servir.»

Gabriel García Marquez, in 'Viver para Contá-la'

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Quarta-feira, 3 de Junho de 2015

Gabriel García Marquez - Aborrecido de Estudar

Aborrecido de Estudar

Enfastiavam-me as aulas, salvo as de literatura — que aprendia de cor — e tinha nelas um protagonismo único. Aborrecido de estudar, deixava tudo à mercê da boa sorte. Tinha um instinto próprio para pressentir os pontos álgidos de cada matéria e quase adivinhar os que mais interessavam aos professores para não estudar o resto. A realidade é que não entendia por que devia sacrificar engenho e tempo em matérias que não me interessavam e, pela mesma razão, não me iam servir para nada numa vida que não era minha.

Atrevi-me a pensar que a maioria dos meus professores me classificava mais pela minha maneira de ser do que pelos meus exames. Salvavam-me as minhas respostas imprevistas, as minhãs ideias dementes, as minhas invenções irracionais. No entanto, quando acabei o quinto ano, com sobressaltos académicos que não me sentia capaz de superar, tomei consciência dos meus limites. O bacharelato tinha sido até então um caminho empedrado de milagres, mas avisava-me o coração que no final do quinto me esperava uma muralha intransponível. A verdade sem adornos era que me faltava já a vontade, a vocação, a ordem, o dinheiro e a ortografia para embarcar numa carreira académica. Melhor dizendo: os anos voavam e não fazia a mínima ideia do que ia fazer da minha vida, pois havia de passar ainda muito tempo antes de me aperceber de que mesmo esse estado de derrota era propício, porque não há nada deste mundo nem do outro que não seja útil para um escritor.

Gabriel García Marquez, in 'Viver para Contá-la'

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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Gabriel García Marquez - O Poder das Palavras

gabo.jpg

 

O Poder das Palavras

A humanidade entrará no terceiro milénio sob o império das palavras. Não é verdade que a imagem esteja a suplantá-las nem que possa extingui-las. Pelo contrário, está a potenciá-las: nunca houve no mundo tantas palavras com tanto alcance, autoridade e arbítrio como na imensa Babel da vida atual. Palavras inventadas, maltratadas ou sacralizadas pela imprensa, pelos livros descartáveis, pelos cartazes de publicidade; faladas e cantadas pela rádio, pela televisão, pelo cinema, pelo telefone, pelos altifalantes públicos: gritadas à brocha nas paredes da rua ou sussurradas ao ouvido nas penumbras do amor. Não: o grande derrotado é o silêncio. As coisas têm agora tantos nomes em tantas línguas que já não é fácil saber como se chamam em nenhuma. Os idiomas dispersam-se à rédea solta, misturam-se e confundem-se, desembestados rumo ao destino inelutável de uma língua global.

Gabriel García Marquez, in 'Eu não Venho Fazer um Discurso'
 
Retirado de Citador

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Quarta-feira, 13 de Maio de 2015

Gabriel Garcia Marquez no Facebook - Recordar é fácil para quem tem memória, esquecer é difícil para quem tem coração

Gabriel Garcia Marquez

 

Recordar é fácil para quem tem memória, esquecer é difícil para quem tem coração

Gabriel Garcia Marquez


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Sábado, 2 de Maio de 2015

Gabriel Garcia Marquez no Facebook - auto-ajuda

Auto superação

 

Pois


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Sexta-feira, 1 de Maio de 2015

Gabriel Garcia Marquez no Facebook - O mais importante que aprendi depois dos 40 foi a dizer não quando é não!

No

 

O mais importante que aprendi depois dos 40 foi a dizer não quando é não!

Lo mas importante que aprendi despues de los 40 fue a decir nó cuando é no!

Gabriel Garcia Marquez


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Quinta-feira, 30 de Abril de 2015

Gabriel Garcia Marquez no Facebook - A vida não é o que vivemos, é o que recordamos e como o recordamos e contamos

Garcia Marquez La vida

 

A vida não é o que vivemos, é o que recordamos e como o recordamos e contamos

 

La vida no es lo que uno vivió, sino lo que uno recuerda, y comomo la recuerda para contarla

 

Gabriel Garcia Marquez


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Sábado, 14 de Março de 2015

Gabriel Garcia Marquez no Facebook - A memória do coração elimina as más recordações e sobrevaloriza as boas

Gabriel Garcia Marquez

 

La memória del corazón elimina los malos recuerdos y magnifica los buenos, y gracias a ese ariticio logramos sobrellevar el pasado

 

A memória do coração elimina as más recordações e sobrevaloriza as boas, e graças a isso conseguimos viver com o nosso passado

 

Gabriel Garcia Marquez


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Sexta-feira, 6 de Março de 2015

Gabriel Garcia Marquez no Facebook - A pior forma de sentir a falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca será teu

Gabriel Garcia Marquez, La peor forma de estañar a alguien es estar sentado a su lado y saber que nunca lo podrás tener

 

A pior forma de sentir a falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca será teu

 

La peor forma de estrañar a alguién es estar sentado a su lado y saber que nunca lo podrás tener

 

Gabriel Garcia Marquez


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