Sábado, 9 de Julho de 2016

Nara Ribeiro no Facebook - Invento palavras não para preencher, mas para enfrentar o silêncio

Nara

 

Invento palavras não para preencher, mas para enfrentar o silêncio

Nara Ribeiro


publicado por olhar para o mundo às 17:13
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2016

Nara Rúbia Ribeiro - A falta de empatia produz as maiores mazelas do mundo

Empatia.jpg

 

 

A empatia é o sentimento que nos liga ao outro. É quando você se ausenta de si e permite que o outro esteja presente em seu íntimo. E assim tenta sentir o que o outro sente, tenta ver o que o outro vê, tenta entender o porquê do outro, quais as suas dores, quais as suas razões mais profundas, quais as suas carências… É quando você procura no outro aquela dor que o faz tão humano quanto você, aquele sonho que talvez possa ser sonhado junto, aquela ânsia, aquela esperança…

Ao sentir o humano que existe no outro, sabendo-nos também humanos, é que damos sentido à palavra “Humanidade”.

Penso que a nossa geração esteja repleta de pessoas empáticas. Há muitos que sabem sentir a dor do mundo e que primam por preencher a nossa atmosfera psíquica com as flores da gentileza e o perfume da gratidão. Estes seres de Luz, embora raro tenham holofotes sobre si, são os verdadeiramente ricos e poderosos, pois são os seus gestos anônimos, as suas preces silenciosas e seus pensamentos de Paz que espalham centelhas de esperança por tota a Terra.

 

Mas é inegável que muitos ainda não tenham compreendido que as maiores mazelas do mundo se dão pela falta de empatia dos homens. O político não consegue, por exemplo, sentir a dor do velho aposentado rural que necessita amputar com urgência uma perna necrosada e não consegue uma vaga para a realização do procedimento médico no Sistema Único de Saúde. E porque não consegue sentir a dor desse velho, o político extravia a verba destinada a esse atendimento e vai comer as primícias dos restaurantes mais caros do mundo, em Dubai.

O marido não consegue sentir que a sua mulher é um ser que, assim como ele, quer saber-se amado e livre e a aprisiona nas correntes do ciúme, trancafiando o seu ego nos mais sujos e angustiosos porões.

Por não saber “ser o outro”, o homem furta, rouba, violenta… O homem achincalha a fé alheia, o sonho alheio. O homem escraviza o homem. O homem condena povos inteiros, comunidades inteiras à miséria, roubando-lhes as condições necessária para que possam sequer enxergar a própria indignidade.

É a falta da empatia que contamina o mundo da praga do imediatismo, do consumismo, do uso indiscriminado de recursos naturais.

 

A falta de empatia faz com que desumanizemos o outro e com nisso nos tornemos menos humanos, mais egoístas, mais individualistas, mais competitivos e mais insanos.

E quando vejo este planeta vivenciar tempos tão sombrios, realidades tão infelizes, quando vejo os poderosos exibirem as suas misérias morais como se fossem troféus , eu me recordo da frase tão recomendada por Chico Xavier “Isso também passará”. Nenhuma ignorância poderá perpetuar-se no tempo e no espaço.

A nossa essência Maior (ela, sim!) é eterna. Somos cidadãos de um tempo a adquirir o aprendizado necessário, coletiva e individualmente, para a nossa contínua e perene evolução.

Diante disso, sorrio! Sei que passará a glória dos avacalham com a sorte do pobre, que riem da Verdade, que zombam da Justiça, que torturam o sonho e a esperança de nações inteiras… E, como já dizia Quintana: “eles passarão” e nós (que nos exercitamos na empatia) nós “passarinho”.

 

Nara Rúbia Ribeiro

 

Retirado de Revista Pazes


publicado por olhar para o mundo às 09:13
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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2015

Nara Rúbia Ribeiro - A arte do desapego

DESAPEGO.jpg

 

A arte do desapego

 

Muitos vivenciam o amor como um rasgo a que a alma se submete intencionalmente para exigir que a mão do amado a costure. O problema é que a mão do outro nem sempre está disponível para esse trabalho: a alma sangra, dói, e os rasgos se expandem… A dor, quando bem resolvida, pode ser um prenúncio de beleza. Mas, para que o belo de fato advenha, é preciso viver a dor, senti-la, tocá-la, integrar-se a ela, e transmutá-la, sabedores de que o vivenciar a dor também é parte do exercício de amor.

 

Já tive muitos castelos desmoronados na poeira dos dias. Quem não os teve? E a dor, nesse caso, é inevitável. Em nossa alma aprendiz, amar é desejar estar ao lado do outro, dentro do outro. É querer ser o outro sem sair de si mesmo. É construir uma redoma de sonho e ali inserir o amado, sob a eterna e vigilante proteção dos nossos olhos. E queremos que o outro caiba exatamente no nosso sonho e viva o nosso projeto de existência. Que ele esteja no cenário que construímos e encene o papel que lhe escrevemos.

 

E, num repente, algum novo vento nos sopra e mostra que o outro não é exatamente o aquele a quem julgamos amar. Percebemos que ele tem segredos e mistérios maiores que pensávamos e ficamos perplexos ao perceber que ele tem caminhos traçados e que quer percorrê-los, muitas vezes, sem nós. Perdemos a voz ao saber que a alma do outro é hóspede e hospedeira de outras almas. E as nossas pernas tremem ao constatar que a redoma era ilusão. Que todo o castelo de amor era ilusório. E a dor chega e castiga e fustiga a alma com cem mil acusações.

 

O que nos sangra, num momento como esse, é a obrigação de desamar. Mas será que isso existe? Os poetas, há muito, já apregoaram que o amor é sempre “para sempre”. Questionaremos as verdades poéticas? Banalizaremos o amor? Faremos dele um bibelô barato e quebrável destinado a adornar, por breves dias, as estantes da nossa alma?

 

Ocorre que somos ainda aprendizes da arte do eterno. O amor não reside senão no desejo da plenitude do outro. Ele não se esmera a não ser no respeito ao outro. Ele não pulsa a não ser para o querer o bem e sonha que o outro, pássaro livre em perfeição de voo, possa vislumbrar, dos cumes de si mesmo, os mais belos sentimentos e paisagens da terra.

 

E assim, quando o outro não mais deseja estar ao nosso lado, isso nos fere e sangra, mas o que nos massacra não é o outro. É desejo egoístico de aprisionar um espírito que também, assim como nós, tem sede de infinitos.

 

Tenho comigo que o que mais dói é a obrigatoriedade que nos impomos, quando o castelo desmorona, de desamar o outro. E embora talvez não o tenhamos amado de fato, fizemos um esboço de amor e é desorientador apagá-lo. Desamar é doloroso demais, porque o desfazimento do amor é contrário à nossa natureza etérea, espiritual, eterna.

 

Devemos, sim, exercitar o desapego; não o desamor. Desejar a liberdade, a integralidade, a plenitude do outro. Compreender que o que dói não é o amor não correspondido, mas a quebra das correntes (talvez até de ouro) com que tentávamos prender alguém. Apenas quando soubermos apreciar com encantamento a liberdade, seja ela nossa ou de um ser amado, teremos conhecido a face invisível e invencível de um amor verdadeiro.

 

E a alma, outrora rasgada, fará das cicatrizes uma arte emoldurada e rebordada de vida, na certeza de que toda a dor, bem lá no fundo, labora a nosso favor.

 

Nara Rúbia Ribeiro

 

Retirado de ContiOutra


publicado por olhar para o mundo às 20:13
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