Segunda-feira, 28 de Novembro de 2016

Mundo bom se faz com bondade - Raquel Alves

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Quem é mais conhecido nos dias de hoje? A Madre Teresa de Calcutá ou Hitler? A Irmã Dulce ou Osama Bin Laden?


De alguma maneira parece que a força dos maus é superior à força dos bons. Pois aqueles que se dedicam à bondade seguem a voz da própria alma. Se alimentam da simplicidade, da compaixão e do amor. Já aqueles que se tornaram ícones da maldade humana foram atraídos pela ganância, e pelo poder. A bondade alimenta o indivíduo que a pratica.

 

A maldade alimenta o poder e o domínio do seu líder. Por isso a herança de horror e sofrimento vividos na era da Alemanha nazista carrega uma força muito superior ao legado de bondade deixado pela Madre Teresa de Calcutá. É uma questão de escala. Os praticantes da maldade, ao longo da história da humanidade, conseguiram atingir muito mais gente que os que se dedicaram à paz e à bondade.

 

Os homens são dotados de inteligência estratégica certamente para um objetivo positivo. Mas essa mesma inteligência, se aliada ao desejo negativo, pode provocar as maiores atrocidades… Por isso que a história humana já assistiu explosões de bombas atômicas, guerras, escravidões, golpes militares e demais horrores. E a herança deixada no rastro do tempo demora a se dissipar.
 

Mundo bom se faz com bondade. Não importa em que escala. Creio que o futuro que queremos está nas mãos de vários que, pouco a pouco semeiam beleza e paz no mundo. Meu pai contava que numa visita à Italia conheceu um pé de caqui “neto” de um raro sobrevivente das explosões das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Emocionado, pediu autorização para pegar três folhas da frondosa árvore e as enquadrou, como símbolo de vida. Hoje elas estão comigo na minha sala. Não podia ser diferente… Árvores são mansas e têm o dom de se reconstruir lentamente, sem esperar que outros a assistam.

 

Como Alberto Caeiro escreveu:
Sejamos simples e calmos,
como os regatos e árvores,
e Deus amar-nos-á fazendo de nós
belos como as árvores e os regatos,
e um rio aonde ir ter quando acabemos…

 

Eu sonho com um mundo manso e pacífico… Espero que a natureza seja a nossa mestra até que a força dos bons deixe a maldade cair no esquecimento…

 

Arquiteta por formação, hoje dedica-se integralmente a presidir o Instituto Rubem Alves, criado para manter vivo o pensamento de seu pai, difundir a sua obra e capacitar novos mestres.
 
Retirado de Revista Pazes
 
 
publicado por olhar para o mundo às 09:13
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2016

Raquel Alves - A vida exige muito trabalho e calma para ser boa

vidacalma.jpg

 

A vida exige muito trabalho e calma para ser boa

 

Estava assistindo um documentário sobre os diversos sistemas digestivos. O do gado sempre me intrigou… Complexo, exige muito trabalho e calma para se completar com sucesso. Pensei que a vida também é complexa, exige muito trabalho e calma para ser boa

 

Quem não tem pressa mastiga melhor, engole melhor, digere melhor, enxerga melhor, sente melhor e vive melhor. Quem não tem pressa pode desfrutar do prazer de pensar sobre o que está fazendo, sentindo e vivendo.

 

É certo que o tempo passa. A parte inferior da ampulhetasempre nos lembra disso, enquanto o tempo vai cravando suas marcas em nosso corpo. E para quem sabe que o tempo se esvai, fica a sensação de pressa, de correr contra o relógio. Perda de tempo dupla: viver correndo e sem desfrutar os momentos.

 

Para se desfrutar da vida é preciso calma. Calma na vida e calma na alma. Não estou dizendo que devemos viver em férias… Mas que devemos degustar os momentos, inclusive os desafios tensos de trabalho. A vida passa por nós todos os dias… O ritmo acelerado dos passos e dos nossos compromissos nos fala sobre administrar nosso tempo que escorre pelas mãos, e podemos fazê-lo com doçura ou com amargura. Vai de cada um.

 

Há pessoas que adoram reclamar sobre a vida, sobre a quantidade de responsabilidades, sobre as doenças, os noticiários de televisão e tudo que as cercam. Mal percebem elas que ficam contaminadas de tanta reclamação. E como um rio que corre, contaminam todo o “sistema” em volta delas de reclamações. Basta chegarmos perto dessas pessoas para detectarmos o mau cheiro da insatisfação crônica. E na tentativa de sermos gentis perguntando “Como vai?”, recebemos o relatório completo das dificuldades que as cercam… Por onde passa o rio contaminado, fica seu rastro mal cheiroso. E o mais bizarro: são justo aqueles que contaminam o rio, os que mais reclamam do desconforto de viver perto dele! Acredito que se essas pessoas se entregassem à calma e ao pensamento sobre suas vidas, certamente deixariam o rio em paz.

 

Todos nós carregamos na imaginação o cenário infantil de um rio com cachoeira, bichos queridos tomando água, passarinhos cantando e árvores frondosas. Porém todos sabemos o que acontece quando o rio polui: a vida a sua volta desaparece. E não é assim? Quem consegue ficar perto daqueles carregados de reclamações? Oras, não faz sentido. Vamos voltar ao gado, que na sua calma nos ensina a degustar a vida melhor: porque se se a vida é cheia de momentos, que sejam apreciados cada um com o seu sabor… E que possamos todos nós com a sabedoria que temos, trazer gosto ao paladar da vida; alimentar nosso rio de amor e de bondade, de calma e sabedoria; para que a ilustração da nossa mente pura de criança se faça real.

 

 

Quando cercamo-nos de pureza e amor, criamos uma vida mansa. E de todas as virtudes humanas, a mais desejada é a mansidão! Quem não concorda comigo imagine um amor áspero e tente desejá-lo. Imagine a humildade arredia e agressiva e busque pela sua genuinidade. Por fim imagine a transparência e a sinceridade agressivas e tente confiar nelas… A mansidão é o segredo do rio que leva vida por onde passa. E nele, os passarinhos que habitam os jardins das nossas almas podem soltar seus mais belos piados, em meio às buzinas e estresses do nosso dia a dia.

 

“Que sejamos simples e calmos, como os regatos e as árvores
E Deus amar-nos-á fazendo de nós belos como as árvores e os regatos
E dar-nos-á verdor na sua primavera e um rio aonde ir ter quando acabemos…”

Alberto Caeiro

 

Raquel Alves

 

Retirado de Revista Pazes

publicado por olhar para o mundo às 09:13
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