Domingo, 22 de Outubro de 2017

Frases de Rubem Alves no Facebook - Só veem a beleza do mundo aqueles que tem a beleza dentro de si

beleza.png

 

Só veem a beleza do mundo aqueles que tem a beleza dentro de si

Rubem Alves

 

publicado por olhar para o mundo às 17:13
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 29 de Agosto de 2017

Frases de Rubem Alves no Facebook - Os conhecimentos dão-nos meios para viver. A sabedoria dá-nos razões para viver

rubemalves.jpg

 

Os conhecimentos dão-nos meios para viver. A sabedoria dá-nos razões para viver

Rubem Alves

 

 

publicado por olhar para o mundo às 12:13
link do post | comentar | favorito
Domingo, 7 de Maio de 2017

Frases de Rubem Alves no Facebook - Os conhecimentos dão-nos os meios para viver, a sabedoria dá-nos as razões

conhecimento.jpg

 

Os conhecimentos dão-nos os meios para viver, a sabedoria dá-nos as razões

Rubem Alves

 

publicado por olhar para o mundo às 21:13
link do post | comentar | favorito

Frases de Rubem Alves no Facebook - Todo jardim começa com uma história de amor

jardim.jpg

 

Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma.


Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles.

 

Rubem Alves

 

publicado por olhar para o mundo às 08:13
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 26 de Abril de 2017

Frases de Rubem Alves no Facebook - Toda alma é uma música que se toca

alma3.jpg

 

Toda alma é uma música que se toca

Rubem Alves

 

publicado por olhar para o mundo às 12:13
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 15 de Março de 2017

Rubem Alves - A solidão amiga

rubem alves.jpg

 

A solidão amiga

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, "parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis". A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: "Como se comporta a Sua Solidão?" Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você." Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim: "Por muito tempo achei que a ausência é falta./ E lastimava, ignorante, a falta./ Hoje não a lastimo./ Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim./ E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,/ que rio e danço e invento exclamações alegres,/ porque a ausência, essa ausência assimilada,/ ninguém a rouba mais de mim.!"

Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que "o inferno é o outro." Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

"Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz - ela me fala com ternura e felicidade!

Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas.

Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos/poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar."

E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, "certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa - garrafa, prato, facão - era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia."

Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: "As obras de arte são de uma solidão infinita." É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.

E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:

"...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília..."

Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...

A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.

Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz.

 

Retirado de Pensador

publicado por olhar para o mundo às 09:13
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 20 de Dezembro de 2016

QUANDO OS FILHOS VOAM… – POR RUBEM ALVES

rubem alves.jpg

 

QUANDO OS FILHOS VOAM… 

Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora.Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas.

Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira…

Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…

Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o vôo dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora de casa, a primeira viagem…

Desde o nascimento de nossos filhos temos a oportunidade de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar. Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade.

Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar. É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.

É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo longe de nós.

É chegado então o tempo de recolher nossas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar decisões que caminham para longe. Isso é amor.

Muitas vezes, confundimos amor com dependência. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais. Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis. Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados.

Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que impede-os de navegar nas ondas de seu próprio destino.

Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança.

Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.

Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase.

Aprendo que tudo passa menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno.
Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver meus filhos crescidos, se assustam por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível.

Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar.

E não há estrada mais bela do que essa.

 

Rubem Alves

retirado de O Segredo

publicado por olhar para o mundo às 09:13
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 3 de Outubro de 2016

Rubem Alves no Facebook - o brilho do sol dentro de nós chama-se sonho

sol.jpg

 

o brilho do sol dentro de nós chama-se sonho

Rubem Alves

publicado por olhar para o mundo às 12:13
link do post | comentar | favorito
Sábado, 1 de Outubro de 2016

Rubem Alves no Facebook - A saudade é a nossa alma a dizer para onde quer voltar

saudade.jpg

 

A saudade é a nossa alma a dizer para onde quer voltar

Rubem Alves

 

publicado por olhar para o mundo às 21:13
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 29 de Julho de 2016

Rubem Alves no Facebook - As crianças não têm ideias religiosas, mas têm experiências místicas

Crianças

 

"As crianças não têm ideias religiosas, 
mas têm experiências místicas. 
Experiência mística não é ver seres de outro mundo.
É ver este mundo iluminado pela beleza."

Rubem Alves
publicado por olhar para o mundo às 17:13
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 9 de Junho de 2016

Rubem Alves no Facebook - A missão do professor não é dar respostas prontas

Professor

 

A missão do professor não é dar respostas prontas. As respostas estão nos livros, estão na internet. A missão do professor é provocar a inteligência, é provocar o espanto, é provocar a curiosidade."

 

Rubem Alves

publicado por olhar para o mundo às 17:13
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 8 de Junho de 2016

Vídeo - Rubem Alves, o papel do Professor

 

 

 

Rubem Alves acredita que o papel do professor é ensinar o aluno a pensar provocando a curiosidade da criança ou adolescente
publicado por olhar para o mundo às 23:13
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 2 de Maio de 2016

Rubem Alves no Facebook - Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses

 

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses

Rubem Alves

publicado por olhar para o mundo às 08:13
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

Rubem alves no Facebook - Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos

Vemos

 

Nós não vemos o que vemos, nós vemos o que somos. Só veem as belezas do mundo, aqueles que tem belezas dentro de si.

Rubem alves

publicado por olhar para o mundo às 12:13
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 5 de Junho de 2015

Rubem Alves no Facebook - Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silencioss metamorfoses

Não haverá borboletas

 

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silencioss metamorfoses

Rubem Alves

publicado por olhar para o mundo às 10:13
link do post | comentar | favorito
Sábado, 24 de Janeiro de 2015

A Menina E O Pássaro Encantado - Rubem Alves

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.


Ele era um pássaro diferente de todos os demais: Era encantado. Os pássaros comuns, se a porta da gaiola estiver aberta, vão embora para nunca mais voltar.


Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades…


Suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava.


Certa vez, voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão.


“- Menina, eu venho de montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco de encanto que eu vi, como presente para você…”.


E assim ele começava a cantar as canções e as estórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.


Outra vez voltou vermelho como fogo, penacho dourado na cabeça.


“… Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga.


Minhas penas ficaram como aquele sol e eu trago canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.”


E de novo começavam as estórias.


A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isso voltava sempre.
Mas chegava sempre uma hora de tristeza.


“- Tenho que ir”, ele dizia.
“- Por favor não vá, fico tão triste, terei saudades e vou chorar….”.


“- Eu também terei saudades”, dizia o pássaro. “– Eu também vou chorar.Mas eu vou lhe contar um segredo: As plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera da volta, que faz com que minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudades. Eu deixarei de ser um pássaro encantado e você deixará de me amar.


Assim ele partiu. A menina sozinha chorava de tristeza à noite, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa destas noites que ela teve uma ideia malvada.


“- Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá; será meu para sempre. Nunca mais terei saudades, e ficarei feliz”.


Com estes pensamentos comprou uma linda gaiola, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera.


Finalmente ele chegou, maravilhoso, com suas novas cores, com estórias diferentes para contar.


Cansado da viagem, adormeceu.


Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.


Foi acordar de madrugada, com um gemido triste do pássaro.


“- Ah! Menina… Que é que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias…”.
Sem a saudade, o amor irá embora…


A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas isto não aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ia ficando diferente. Caíram suas plumas, os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram- se num cinzento triste. E veio o silêncio; deixou de cantar.


Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…


Até que não mais aguentou.


Abriu a porta da gaiola.


“- Pode ir, pássaro, volte quando quiser…”.


“- Obrigado, menina. É, eu tenho que partir. É preciso partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro da gente. Sempre que você ficar com saudades, eu ficarei mais bonito.


Sempre que eu ficar com saudades, você ficará mais bonita. E você se enfeitará para me esperar…”


E partiu. Voou que voou para lugares distantes. A menina contava os dias, e cada dia que passava a saudade crescia.


“- Que bom, pensava ela, meu pássaro está ficando encantado de novo…”.


E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos; e penteava seus cabelos, colocava flores nos vasos…


“- Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…


Sem que ela percebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado como o pássaro.


Porque em algum lugar ele deveria estar voando. De algum lugar ele haveria de voltar.


AH! Mundo maravilhoso que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…


E foi assim que ela, cada noite ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento.


– Quem sabe ele voltará amanhã….


E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

 

 

Rubem Alves

 

Retirado de ContiOutra

 

publicado por olhar para o mundo às 19:45
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.posts recentes

. Frases de Rubem Alves no ...

. Frases de Rubem Alves no ...

. Frases de Rubem Alves no ...

. Frases de Rubem Alves no ...

. Frases de Rubem Alves no ...

. Rubem Alves - A solidão a...

. QUANDO OS FILHOS VOAM… – ...

. Rubem Alves no Facebook -...

. Rubem Alves no Facebook -...

. Rubem Alves no Facebook -...

.últ. comentários

Lamento mas o texto não é de Santo Agostinhohttp:/...
Ola Jorge,Muito grata por sua pronta resposta e po...
OláJá corrigi o post e atribuí o nome correcto na ...
Olá, quero deixar registrado aqui que esta frase d...
Um grande politico.Uma grande perda para Portugal.
Verdade Universal.
É como eu tenho dito e inclusive escrito sobre ist...
Perdi meu marido há quanto meses.ainda tenho tudo ...
Muitíssimo bom!
Como eu entendo. A minha bisavó tinha 103.chorei e...

.arquivos

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

.tags

. imagem

. facebook

. frases

. pensamentos

. vídeo

. música

. lyrics

. letra

. vida

. textos

. amor

. humor

. anedota

. piada

. pessoas

. mulher

. imagens do facebook

. cartoon

. felicidade

. amar

. coração

. homem

. miguel esteves cardoso

. viver

. tempo

. mia couto

. mulheres

. imagens

. poesia

. mundo

. ser feliz

. crianças

. política

. fernando pessoa

. educação

. filhos

. poema

. sonhos

. aprender

. criança

. mãe

. animais

. palavras

. pensar

. liberdade

. medo

. natal

. respeito

. silêncio

. caminho

. amigos

. pensamento

. paz

. portugal

. dinheiro

. ser

. alma

. clarice lispector

. dor

. sorrir

. josé saramago

. mafalda

. mudar

. coragem

. passado

. recados

. amizade

. desistir

. escolhas

. beleza

. morte

. ricardo araújo pereira

. falar

. fazer

. feliz

. homens

. país

. pais

. coisas

. cultura

. povo

. religião

. sabedoria

. sentimentos

. verdade

. educar

. livros

. sorriso

. chuva

. ensinar

. problemas

. saudade

. acreditar

. olhar

. osho

. pessoa

. sentir

. abraço

. adopção

. chorar

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds